Fugir após atropelar alguém é uma atitude que amplia ainda mais o peso de um acidente, transforma segundos de imprudência em uma ferida moral profunda.
Foi o que aconteceu em São Tomé das Letras (MG), onde o maratonista Juliano Moraes de Castro, conhecido carinhosamente como “Passarinho”, perdeu a vida após ser atingido por uma caminhonete cujo motorista fugiu sem prestar socorro.
O caso ocorreu na rodovia LMG-868, na zona rural do município, e abalou a pequena cidade, onde Juliano era figura conhecida e admirada. Aos 38 anos, Juliano acumulava histórias e paixões.
Além de atleta, era artista, conselheiro tutelar, técnico de enfermagem e aventureiro. Desde jovem, destacou-se no grupo teatral Voz da Terra, onde participou das montagens Terra Bruta e Uma Corte do Rei Arthur. Sua presença em cena e carisma lhe renderam reconhecimento na comunidade cultural local.
Segundo o amigo e produtor Luiz Gilmar de Castro Furtado, Juliano representava o espírito acolhedor de São Tomé das Letras: “Alegre, simpático e sempre pronto para ajudar, ele era o tipo de pessoa que deixava o dia mais leve”, disse.
Nos anos seguintes, ele continuou a se dedicar ao cuidado humano, primeiro como conselheiro tutelar, depois como técnico de enfermagem em um asilo da cidade. Entre 2018 e 2020, viveu uma experiência internacional trabalhando em navios de cruzeiro, antes de se concentrar nas maratonas e corridas que tanto amava em Minas, São Paulo e Rio de Janeiro.
O corpo de Juliano foi velado na Igreja do Rosário e sepultado no cemitério municipal. Enquanto familiares e amigos lamentam a perda, as autoridades buscam o responsável pelo atropelamento.
Em cada passo que ele deu nas trilhas e palcos da vida, Juliano deixou um exemplo de energia e generosidade, e agora a cidade clama por justiça diante da ausência de quem partiu sem olhar para trás.
