Crise Hídrica: Saquarema Fica 72 Horas Sem Água e Moradores Enfrentam Colapso no Abastecimento

ANÚNCIOS

Rompimento de adutora principal deixou mais de 80 mil pessoas sem acesso à água potável durante três dias; situação gerou caos, prejuízos milionários e protestos nas ruas

Saquarema, RJ — O que começou como uma manhã de sexta-feira aparentemente tranquila se transformou em um verdadeiro pesadelo para os moradores de Saquarema, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Um grave rompimento na adutora principal que abastece o município deixou a cidade inteira sem água por impressionantes 72 horas, afetando mais de 80 mil pessoas e causando uma crise sem precedentes na história recente do município.

O colapso no sistema de abastecimento teve início na madrugada de sexta-feira (22), quando sensores da Prolagos, concessionária responsável pelo fornecimento de água na região, detectaram uma queda brusca de pressão na rede. Por volta das 6h da manhã, os primeiros moradores começaram a perceber que as torneiras estavam secas. O que ninguém imaginava é que a situação se estenderia por três longos dias, atravessando todo o fim de semana e só sendo completamente normalizada na noite de segunda-feira (25).

O início do caos

Os primeiros bairros a sentirem os efeitos do desabastecimento foram Bacaxá, Itaúna e Porto da Roça, áreas densamente povoadas que concentram grande parte da população do município. Em questão de horas, porém, a falta de água se espalhou como um efeito dominó, atingindo absolutamente todos os bairros de Saquarema, incluindo o Centro, Boqueirão, Jaconé, Vilatur, Sampaio Correia e até mesmo os condomínios de luxo da orla.

ANÚNCIOS

Dona Aparecida Santos, 72 anos, moradora do bairro Bacaxá há mais de quatro décadas, relata o desespero que tomou conta de sua família já nas primeiras horas. “Na sexta de manhã achei que era só um probleminha, que logo voltaria. Quando chegou a noite e nada, comecei a ficar preocupada. No sábado, já não tinha mais uma gota de água em casa. Tive que pedir ajuda aos vizinhos, que também estavam na mesma situação. Foi horrível, uma coisa que eu nunca tinha visto na vida”, conta, visivelmente emocionada.

O aposentado José Carlos Ferreira, 68 anos, diabético e hipertenso, passou mal durante o segundo dia sem água e precisou ser levado à UPA do município. “Não conseguia me hidratar direito, o calor estava insuportável e eu comecei a passar mal. Minha filha me levou ao hospital às pressas no sábado à tarde. Graças a Deus me estabilizaram, mas foi um susto muito grande”, relata.

ANÚNCIOS

Dimensão do problema

Segundo informações técnicas divulgadas pela Prolagos após intensa pressão da população e das autoridades locais, o rompimento ocorreu em um trecho crítico da adutora principal, uma tubulação de 600 milímetros de diâmetro responsável por transportar água tratada da Estação de Tratamento de Água (ETA) até os reservatórios de distribuição do município.

A ruptura, de aproximadamente 4 metros de extensão, teria sido causada por uma combinação de fatores: o desgaste natural da tubulação, que possui mais de 25 anos de uso, as altas temperaturas registradas nos dias anteriores ao incidente, que teriam provocado dilatação excessiva do material, e um possível problema no solo da região, que pode ter sofrido movimentação devido às chuvas intensas da semana anterior.

“Estamos diante de um dos maiores desafios operacionais que já enfrentamos na região. A extensão do dano e a localização do rompimento, em uma área de difícil acesso, tornaram os trabalhos de reparo extremamente complexos. Foram necessárias 72 horas de trabalho ininterrupto, com mais de 120 profissionais envolvidos, para substituir o trecho danificado e restabelecer o sistema”, explicou o diretor de operações da Prolagos, engenheiro Ricardo Monteiro, em entrevista coletiva realizada no domingo.

A empresa informou que, além do rompimento principal, foram identificadas outras cinco fissuras menores ao longo da tubulação, que também precisaram ser reparadas para evitar novos vazamentos. A operação envolveu o uso de guindastes, retroescavadeiras e equipamentos especiais para içamento das tubulações, que pesam várias toneladas.

ANÚNCIOS

Um fim de semana de desespero

Os três dias sem água em Saquarema foram marcados por cenas que os moradores jamais esquecerão. O fato de a crise ter começado justamente na sexta-feira, véspera de um fim de semana de sol e calor intenso, agravou ainda mais a situação. Filas quilométricas se formaram nos poucos pontos de distribuição de água organizados pela Prefeitura e pela Defesa Civil. Famílias inteiras passaram horas debaixo de sol escaldante, com temperaturas que chegaram a 39°C, aguardando para encher baldes e garrafas.

No sábado (23), primeiro dia completo da crise, a situação já era de verdadeiro colapso. Supermercados e mercearias esgotaram seus estoques de água mineral em poucas horas. Comerciantes relataram cenas de tumulto e discussões entre clientes disputando as últimas garrafas disponíveis nas prateleiras.

“Recebemos uma carga de água na manhã de sábado e em menos de duas horas não tinha mais nada. As pessoas estavam desesperadas, comprando caixas inteiras de água. Tive que limitar a venda para dois pacotes por pessoa para tentar atender mais gente, mas mesmo assim não deu conta”, conta Marcos Oliveira, gerente de um supermercado no Centro.

O domingo (24) foi ainda mais dramático. Com o calor intenso e as reservas domésticas completamente esgotadas, muitas famílias não tiveram alternativa senão buscar água em fontes improvisadas, como poços artesianos de vizinhos e até mesmo em córregos e lagoas da região — uma prática extremamente arriscada do ponto de vista sanitário.

O comércio local sofreu prejuízos estimados em milhões de reais. Restaurantes, bares, lanchonetes, salões de beleza, academias e diversos outros estabelecimentos foram obrigados a fechar as portas durante os três dias de crise, justamente no período mais lucrativo da semana. A Associação Comercial de Saquarema estima que as perdas diretas do setor ultrapassem R$ 12 milhões.

“Foi um desastre econômico. Sexta, sábado e domingo são os dias de maior movimento para o comércio de Saquarema. Muitos comerciantes dependem desse período para pagar suas contas. Três dias sem funcionar, logo no fim de semana, significa prejuízo certo, funcionários parados, mercadorias perdidas. Alguns estabelecimentos que trabalham com alimentos tiveram que jogar fora tudo que tinham estocado”, lamenta o presidente da associação, Antônio Carlos Ribeiro.

Impacto na saúde pública

O sistema de saúde de Saquarema foi duramente testado durante a crise. A UPA municipal e os postos de saúde registraram um aumento de 300% no atendimento a casos relacionados à desidratação, insolação e problemas gastrointestinais. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, foram atendidas mais de 450 pessoas com sintomas decorrentes da falta de água durante os três dias.

Os casos mais graves envolveram idosos e crianças pequenas, grupos mais vulneráveis aos efeitos da desidratação. Pelo menos 12 pessoas precisaram ser transferidas para hospitais de municípios vizinhos devido à gravidade de seus quadros clínicos. Felizmente, não houve registro de óbitos relacionados diretamente à crise.

A diretora da UPA de Saquarema, médica Fernanda Gonçalves, descreveu a situação como “uma verdadeira emergência de saúde pública”. “Nossos profissionais trabalharam em regime de plantão estendido durante os três dias, incluindo todo o fim de semana. Recebemos casos de desidratação severa, crianças com vômito e diarreia, idosos confusos por causa da falta de hidratação. Foi uma das situações mais difíceis que já enfrentamos”, relatou.

Além dos problemas de saúde diretamente relacionados à falta de água para consumo, a crise também gerou preocupações com a higiene e o saneamento. Sem água para dar descarga em vasos sanitários, lavar as mãos ou fazer a higienização básica de residências, o risco de proliferação de doenças aumentou significativamente.

A Vigilância Sanitária do município emitiu um alerta orientando a população sobre cuidados básicos de higiene durante o período de desabastecimento e intensificou a fiscalização em estabelecimentos comerciais após a normalização do fornecimento.

Protestos e indignação popular

A paciência da população se esgotou junto com as reservas de água. No domingo (24), terceiro dia da crise, manifestantes bloquearam a RJ-106, principal via de acesso ao município, em protesto contra a demora na resolução do problema. O congestionamento se estendeu por mais de 5 quilômetros e durou cerca de 4 horas, até que a Polícia Militar negociasse a liberação da via.

“Não aguentamos mais! Três dias sem água, crianças passando mal, idosos sofrendo, e a empresa só diz que está trabalhando. Queremos respostas, queremos nossos direitos respeitados!”, gritava uma manifestante pelo megafone, sob aplausos de centenas de pessoas que participavam do protesto.

Nas redes sociais, a indignação tomou proporções ainda maiores. A hashtag #Saquarema72HorasSemAgua viralizou e chegou aos trending topics nacionais do Twitter, chamando a atenção da imprensa de todo o país para a situação do município. Moradores compartilharam vídeos e fotos mostrando torneiras secas, filas intermináveis, crianças chorando de sede e idosos passando mal.

A influenciadora digital Juliana Costa, moradora de Saquarema com mais de 50 mil seguidores no Instagram, fez uma série de transmissões ao vivo mostrando a realidade nas ruas do município durante todo o fim de semana. Seus vídeos acumularam milhões de visualizações e ajudaram a pressionar as autoridades por uma solução mais rápida.

“É uma vergonha o que estamos vivendo. Pagamos nossas contas em dia todos os meses, pagamos impostos altíssimos, e somos tratados assim. Três dias sem água, logo no fim de semana, é desumano, é inadmissível. As autoridades precisam ser responsabilizadas”, declarou a influenciadora em uma de suas lives.

Ação emergencial da Prefeitura

Diante da gravidade da situação, o prefeito de Saquarema, em pronunciamento oficial transmitido pelas redes sociais na sexta-feira à noite, decretou estado de emergência no município. A medida permitiu a liberação de recursos extraordinários para o enfrentamento da crise e a contratação emergencial de serviços de apoio.

“Estamos vivendo um momento de grande dificuldade, e toda a estrutura da Prefeitura está mobilizada para minimizar o sofrimento da nossa população. Determinei que todas as secretarias concentrem seus esforços no atendimento às famílias mais vulneráveis e na distribuição de água potável em todos os bairros”, declarou o prefeito.

A Defesa Civil municipal montou 15 pontos de distribuição de água espalhados pelos bairros, operando das 6h às 22h durante os três dias de crise, incluindo sábado e domingo. Foram distribuídos mais de 200 mil litros de água potável à população, por meio de caminhões-pipa cedidos por municípios vizinhos e pelo Corpo de Bombeiros.

Equipes da Secretaria de Assistência Social realizaram visitas domiciliares prioritárias a idosos que moram sozinhos, pessoas com deficiência e famílias em situação de vulnerabilidade social. Mais de 500 famílias receberam kits de emergência contendo água mineral, alimentos não perecíveis e itens de higiene.

A Guarda Municipal foi mobilizada para garantir a ordem nos pontos de distribuição e coibir possíveis conflitos. Houve registro de pelo menos cinco ocorrências de tumulto e discussões mais acaloradas ao longo do fim de semana, mas nenhum caso de violência grave.

Setor hoteleiro em colapso

Com a temporada de verão se aproximando e a alta estação batendo às portas, o setor hoteleiro de Saquarema foi duramente impactado pela crise. Hotéis e pousadas, muitos deles com lotação máxima para o fim de semana, enfrentaram uma enxurrada de cancelamentos e reclamações de hóspedes.

A Associação de Hotéis e Pousadas de Saquarema estima que mais de 85% dos estabelecimentos registraram cancelamentos e saídas antecipadas durante os três dias de crise. Turistas que estavam hospedados no município para aproveitar o fim de semana de sol optaram por encerrar suas estadias e buscar outros destinos.

“Tivemos que lidar com hóspedes furiosos, que pagaram por um serviço que não conseguíamos oferecer. Como explicar para alguém que viajou de outro estado para passar o fim de semana na praia que não tem água para tomar banho? Muitos pediram reembolso total, outros simplesmente foram embora revoltados. O prejuízo foi incalculável”, desabafa Maria Helena Duarte, proprietária de uma pousada em Itaúna.

Plataformas de avaliação online registraram uma avalanche de comentários negativos sobre estabelecimentos de Saquarema nos dias seguintes à crise. A imagem do município como destino turístico pode levar meses para se recuperar, segundo especialistas do setor.

A presidente da Associação de Hotéis, Cláudia Martins, anunciou que a entidade está reunindo documentação para ingressar com uma ação coletiva contra a Prolagos, buscando indenização pelos prejuízos causados ao setor. “Vamos buscar na Justiça a reparação dos danos. O que aconteceu foi inadmissível, especialmente por ter ocorrido em pleno fim de semana, quando nossos estabelecimentos estavam lotados. Alguém precisa ser responsabilizado”, afirmou.

Praias lotadas, chuveiros vazios

Um dos aspectos mais irônicos da crise foi o contraste entre as praias lotadas de banhistas e a completa impossibilidade de tomar um banho de água doce depois. Com o calor intenso do fim de semana, milhares de pessoas lotaram as praias de Saquarema, especialmente Itaúna, famosa mundialmente pelo surfe.

Os quiosques e barracas da orla, que normalmente oferecem duchas para os banhistas tirarem o sal do corpo, estavam todos sem água. Turistas e moradores não tiveram outra opção senão voltar para casa cobertos de areia e sal marinho, sem perspectiva de banho.

“Foi surreal. A praia estava linda, cheia de gente, o dia perfeito. Mas na hora de ir embora, nada de ducha, nada de água. Voltei para o hotel todo sujo de areia e descobri que lá também não tinha água. Acabei tendo que ir embora no domingo mesmo, não dava para ficar assim”, relata o turista paulista Fernando Mendes, que havia planejado passar o fim de semana em Saquarema com a família.

Investigação e responsabilização

A Câmara de Vereadores de Saquarema aprovou, em sessão extraordinária realizada na segunda-feira à tarde, a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as causas da crise hídrica e apurar possíveis responsabilidades da concessionária Prolagos.

O presidente da Câmara, vereador Ricardo Souza, afirmou que a CPI terá poderes para convocar representantes da empresa, solicitar documentos e contratos, e investigar o histórico de manutenção da rede de abastecimento. “A população merece respostas. Precisamos entender por que isso aconteceu, se poderia ter sido evitado e o que será feito para que não se repita”, declarou.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro também anunciou a abertura de um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades na prestação do serviço de abastecimento de água em Saquarema. A promotoria requisitou à Prolagos o envio de todos os documentos relativos à manutenção preventiva da rede nos últimos cinco anos.

O Procon estadual informou que está recebendo denúncias de consumidores afetados pela crise e que irá notificar a concessionária para prestar esclarecimentos. Moradores podem registrar reclamações formais para buscar ressarcimento por eventuais prejuízos.

A própria Prolagos anunciou, em comunicado divulgado na segunda-feira à noite, que irá conceder desconto proporcional nas faturas de todos os consumidores afetados pelo desabastecimento. A empresa também se comprometeu a acelerar o plano de modernização da rede de distribuição e a aumentar os investimentos em manutenção preventiva.

Normalização e alívio

A tão esperada normalização do abastecimento começou a ocorrer gradualmente na noite de domingo, com os primeiros bairros recebendo água por volta das 22h. O processo de restabelecimento completo, porém, só foi concluído na segunda-feira (25) à noite, quando os últimos bairros finalmente voltaram a ter água nas torneiras.

Moradores relataram cenas de alívio e até emoção ao verem a água jorrar novamente de suas torneiras. Vídeos de famílias comemorando o retorno do abastecimento foram compartilhados nas redes sociais, evidenciando o tamanho do sofrimento enfrentado durante os três dias de crise.

“Quando vi a água saindo da torneira na segunda à noite, quase chorei. Foram três dias muito difíceis, um fim de semana inteiro de pesadelo, especialmente para quem tem criança pequena em casa como eu. A gente só dá valor para as coisas quando perde. Nunca mais vou reclamar de conta de água”, desabafou a dona de casa Carla Mendes, mãe de dois filhos pequenos.

A Prolagos orientou os moradores a utilizarem a água com parcimônia nas primeiras horas após o retorno do abastecimento, para permitir a estabilização do sistema. A empresa também recomendou que os consumidores deixassem as torneiras abertas por alguns minutos para eliminar possíveis resíduos acumulados na tubulação durante o período de desabastecimento.

Lições e desafios futuros

A crise de 72 horas sem água em Saquarema deixa lições importantes e expõe desafios que precisam ser enfrentados não apenas pelo município, mas por toda a Região dos Lagos. Especialistas em saneamento básico apontam que a situação é reflexo de décadas de subinvestimento em infraestrutura e de um modelo de concessão que prioriza o lucro em detrimento da qualidade do serviço.

O professor de Engenharia Ambiental da UERJ, doutor Marcos Aurélio Campos, avalia que casos como o de Saquarema tendem a se tornar mais frequentes se não houver uma mudança de paradigma na gestão dos recursos hídricos. “Temos uma infraestrutura envelhecida, redes de distribuição com mais de 20, 30 anos de uso, e uma demanda que cresce a cada ano. É uma equação que não fecha. Ou investimos pesadamente em modernização, ou vamos continuar vivendo crises como essa”, alerta.

O crescimento populacional acelerado de Saquarema nos últimos anos, impulsionado principalmente pelo mercado imobiliário e pela expansão do turismo, colocou uma pressão sem precedentes sobre o sistema de abastecimento. A população do município mais que dobrou na última década, mas os investimentos em infraestrutura não acompanharam esse ritmo.

A Agenersa, agência reguladora responsável pela fiscalização dos serviços de saneamento no estado, informou que irá intensificar as auditorias nas concessionárias da Região dos Lagos e avaliar possíveis sanções à Prolagos pelo episódio. A multa por descumprimento de metas de qualidade pode chegar a milhões de reais.

Solidariedade e união

Em meio ao caos e à indignação, a crise também revelou o lado solidário da comunidade saquaremense. Vizinhos dividiram suas reservas de água com quem não tinha, comerciantes distribuíram água gratuitamente para idosos e famílias carentes, e grupos de voluntários se organizaram para ajudar na distribuição nos pontos montados pela Defesa Civil.

A Igreja Católica e diversas denominações evangélicas abriram suas portas durante todo o fim de semana para servir como pontos de apoio à população, oferecendo água, alimentos e acolhimento. O Centro Espírita de Saquarema montou uma cozinha solidária que serviu mais de 800 refeições gratuitas durante os três dias de crise.

“A gente viu o melhor e o pior das pessoas nesses três dias. Mas o que ficou foi a solidariedade, a vontade de ajudar o próximo. Saquarema mostrou que, mesmo nos momentos mais difíceis, sabe se unir”, reflete o padre Antônio Carlos, pároco da Igreja Matriz.

Considerações finais

A crise hídrica de 72 horas que assolou Saquarema ficará marcada na memória dos moradores como um dos episódios mais difíceis já vividos pelo município. Mais do que os prejuízos materiais, estimados em dezenas de milhões de reais, o evento deixou cicatrizes emocionais em famílias que passaram um fim de semana inteiro sem acesso a um recurso tão básico e essencial quanto a água.

As investigações que se seguirão nos próximos meses deverão apontar responsabilidades e, espera-se, resultar em medidas concretas para evitar que tragédias semelhantes se repitam. A população de Saquarema, porém, não quer apenas respostas — quer garantias de que nunca mais passará por uma situação como essa.

Com a alta temporada de verão se aproximando e milhares de turistas esperados no município, a pressão sobre o sistema de abastecimento só tende a aumentar. Resta saber se as lições desta crise serão, de fato, aprendidas, ou se Saquarema continuará refém de uma infraestrutura defasada e de um serviço que, mais uma vez, mostrou não estar à altura das necessidades de sua população.


Cronologia da crise:

  • Sexta-feira (22), 6h: Primeiros relatos de falta de água nos bairros Bacaxá e Itaúna
  • Sexta-feira (22), 10h: Desabastecimento se espalha para todos os bairros do município
  • Sexta-feira (22), 15h: Prefeitura ativa plano de contingência e inicia distribuição de água
  • Sexta-feira (22), 20h: Prefeito decreta estado de emergência
  • Sábado (23), 8h: Estoques de água mineral se esgotam nos supermercados
  • Sábado (23), 14h: UPA registra aumento de 300% nos atendimentos por desidratação
  • Domingo (24), 10h: Manifestantes bloqueiam a RJ-106 em protesto
  • Domingo (24), 22h: Primeiros bairros começam a receber água novamente
  • Segunda-feira (25), 15h: Câmara aprova criação de CPI para investigar a crise
  • Segunda-feira (25), 21h: Abastecimento totalmente normalizado em todo o município

Reportagem: Redação

Colaboração: Equipe de Jornalismo Investigativo

Fotos: Arquivo / Reprodução Redes Sociais

Última atualização: Segunda-feira, 25 de novembro de 2025, às 23h52

Escrito por