O caso do bebê encontrado abandonado no distrito de Cupissura, em Caaporã, na Região Metropolitana de João Pessoa, tomou um rumo trágico. A Polícia Civil da Paraíba confirmou que o recém-nascido faleceu na noite de terça-feira, 19 de maio de 2026, poucas horas após o complexo resgate que mobilizou moradores e equipes de emergência.
A criança não resistiu às complicações decorrentes das condições extremas do abandono, após dar entrada em estado de saúde considerado altamente delicado na rede pública de saúde.
O recém-nascido foi localizado na manhã de terça-feira por um morador da região que ouviu barulhos incomuns vindos do quintal de sua residência. Ao utilizar uma escada para checar o vão estreito que separava os muros de duas casas, o homem visualizou a criança e acionou imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
O bebê recebeu os primeiros socorros ainda no local e foi encaminhado inicialmente para um hospital no município vizinho de Alhandra, a 41 km da capital, para estabilização do quadro clínico.
Devido à gravidade do caso, foi necessária uma transferência aeromédica de urgência feita pelo helicóptero Acauã, que levou o menino até o Hospital Edson Ramalho, em João Pessoa, onde ele permaneceu sob cuidados intensivos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) até o momento do óbito.
As investigações policiais avançaram rapidamente e resultaram na identificação da mãe biológica da criança, uma adolescente de 17 anos que deu à luz sozinha no banheiro de casa.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Edernei Hass, a jovem escondeu a gestação de todas as pessoas de seu convívio, incluindo os próprios familiares e o namorado.
Logo após o parto, ela pegou o filho, subiu em uma mureta no quintal e arremessou o recém-nascido no espaço entre as paredes, mantendo-se em total silêncio durante toda a movimentação do resgate comunitário.
Diante dos fatos e da confirmação do falecimento da vítima, a Polícia Civil solicitou formalmente à Justiça a internação da adolescente por ato infracional análogo aos crimes de aborto e infanticídio.
A menor de idade segue sob custódia policial internada na Maternidade Cândida Vargas, em João Pessoa, onde recebe acompanhamento médico pós-parto, e será encaminhada ao sistema socioeducativo assim que receber a devida alta hospitalar.
