O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, concedeu entrevista ao jornal estadunidense Washington Post. A matéria completa foi publicada nesta segunda-feira (18/08), com declarações contundentes do ministro.
O ministro foi questionado diretamente sobre o processo contra o ex-presidente, Jair Bolsonaro, e também sobre a pressão que tem sofrido do governo dos EUA. Moraes se manteve firme e defendeu a soberania brasileira.
“Não existe a menor possibilidade de recuar nem um milímetro. Faremos o que é certo: receberemos a acusação, analisaremos as provas, e quem tiver que ser condenado, será condenado; quem tiver que ser absolvido, será absolvido”, disse o ministro.
Moraes atrai muitas críticas da extrema direita brasileira por ser o ministro-relator do inquérito que investiga os movimentos antidemocráticos de 2022 e a suspeita de uma tentativa de golpe de estado.
Ao longo dos últimos anos, o ministro acabou se tornando uma espécie de “inimigo” da direita e extrema-direita brasileiras. O ministro é alvo de uma campanha de ataques há anos, que soma críticas legais e também ataques criminosos.
Ainda em entrevista, Moraes comparou as realidades dos EUA e do Brasil. Falando ao público estadunidense, o ministro explicou que os EUA nunca viveram um golpe de estado, mas o Brasil já sofreu com ditaduras.
“O Brasil teve vinte anos de ditadura sob Getúlio Vargas, outros vinte de ditadura militar e inúmeras tentativas de golpe. Quando você é repetidamente atacado por uma doença, você desenvolve anticorpos e busca uma vacina preventiva”, afirmou.
Moraes também foi questionado sobre as acusações de que teria “poder demais” e reforçou que mais de 700 decisões suas já foram revisadas pelos demais ministros, sem ter perdido nenhuma.
Já sobre a pressão que sofre do governo dos EUA, Moraes minimizou e afirmou que a relação EUAxBrasil esta abalada por conta de “falsas narrativas”. O ministro destacou que é importante “esclarecer” as coisas e que, vai continuar com as investigações necessárias, apesar das sanções dos EUA não serem “prazerosas”.
