A Polícia Civil do Rio Grande do Sul iniciou a tomada de depoimentos no inquérito que apura a trágica morte de Oliver Golden Grayson, de apenas 3 anos de idade. O menino faleceu no dia 8 de julho de 2026, após sofrer violentas agressões físicas desferidas pelo próprio pai em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Até o momento, oito testemunhas prestaram declarações formais às autoridades policiais. Entre as pessoas ouvidas na última terça-feira, 14 de julho, encontram-se vizinhos do imóvel da família, integrantes do Conselho Tutelar e profissionais de saúde que realizaram atendimentos médicos recentes às crianças da casa.
O pai da vítima, o missionário de nacionalidade norte-americana Dandre Jermaine Grayson, confessou a autoria do espancamento brutal e está custodiado sob prisão preventiva desde o dia 5 de julho.
A mãe de Oliver, Mayanna Angelina Rodgers, também permanece presa preventivamente e já foi interrogada quatro vezes em diferentes etapas do inquérito. A defesa de Mayanna sustenta que ela vivia em um severo contexto de violência doméstica, sofrendo abusos físicos, psicológicos e emocionais praticados pelo marido.
Além de solicitar a liberdade da cliente, os advogados pediram autorização judicial para que ela possa fazer o reconhecimento do corpo do filho no Instituto Médico-Legal (IML) e comparecer ao sepultamento.
Contudo, os investigadores apontam que, até o momento, não foram encontrados elementos que justifiquem a revogação de sua prisão preventiva. A família já tinha um histórico no Conselho Tutelar.
Enquanto o inquérito avança, os outros quatro filhos do casal, com idades que variam entre 1 e 9 anos, foram retirados do ambiente familiar e encaminhados a um abrigo protetivo, onde continuam sob custódia do Estado.
Exames periciais confirmaram que todas as crianças apresentavam diversas lesões corporais decorrentes de maus-tratos sistemáticos. Relatórios encaminhados à Justiça detalham o cenário de terror enfrentado pelos menores, revelando que uma das crianças explicou que as marcas de mordidas em seu corpo eram causadas pelo pai.
O documento relata ainda que o menino demonstrava um pavor extremo da figura paterna e tentava, a todo custo, impedir que os irmãos mostrassem os hematomas. Em relatos espontâneos, as filhas do casal também revelaram aos conselheiros que a mãe costumava recorrer a agressões físicas sob o pretexto de aplicar punições disciplinares.
Em seu depoimento, o pai confessou ter espancado Oliver motivado pelo fato de o garoto não tê-lo cumprimentado com um “bom dia”. O agressor admitiu ter desferido múltiplos socos no tórax e no abdômen da criança de 3 anos, além de bater sua cabeça contra o chão de forma violenta.
O menino foi socorrido e internado em estado gravíssimo no Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre, mas acabou não resistindo às lesões. As investigações apontam que a família residia em Viamão há cerca de oito meses, mas o histórico de abusos e negligência já havia gerado alertas e acompanhamentos pelas redes de proteção à infância nos estados de São Paulo e Santa Catarina.
Diante desse panorama, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul busca esclarecer se houve omissão ou falha grave na atuação dos órgãos de fiscalização locais em Viamão diante dos recorrentes sinais de perigo que cercavam a rotina daquelas crianças.
