Os fortes terremotos que atingiram a Venezuela nos últimos dias chamaram a atenção do mundo e reacenderam o interesse sobre a ocorrência de abalos sísmicos em outros países da América do Sul.
Embora o cenário brasileiro seja bastante diferente e os tremores registrados no país sejam, em sua maioria, de baixa intensidade, novos episódios em Minas Gerais voltaram a despertar a curiosidade da população sobre esse tipo de fenômeno natural.
Na madrugada da última quarta, dia 1 de julho, equipamentos da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) detectaram um tremor de magnitude 2,6 nas proximidades de Planura, município localizado no Triângulo Mineiro.
O abalo ocorreu por volta das 4h53 e teve sua análise confirmada pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP). Ainda no mesmo dia, outro registro foi feito em Montes Claros, no Norte de Minas. Desta vez, o tremor alcançou magnitude 1,3, sendo considerado ainda mais fraco.
Dias antes, em 30 de junho, um sismo de magnitude 1,5 também havia sido identificado em Sete Lagoas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo o sismólogo Bruno Collaço, pesquisador do Centro de Sismologia da USP e integrante da RSBR, Minas Gerais lidera o número de registros de tremores no Brasil.
De acordo com ele, esse comportamento geológico é conhecido pelos especialistas e ocorre devido às pressões naturais que atuam na crosta terrestre. O pesquisador destaca que esses abalos costumam apresentar baixa profundidade, normalmente entre zero e dez quilômetros, o que faz com que possam ser sentidos por moradores em algumas situações.
Apesar disso, os eventos registrados no estado não representam risco significativo para a população. Enquanto Minas acompanha pequenos tremores considerados comuns, a Venezuela enfrenta uma realidade completamente diferente.
O país ainda contabiliza os impactos dos terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 registrados recentemente, os mais intensos desde o início do século passado. As buscas por desaparecidos continuam, enquanto o número de vítimas fatais ultrapassa 2,2 mil pessoas.
O contraste entre os dois cenários reforça que, embora o Brasil registre atividade sísmica regularmente, ela ocorre em níveis muito inferiores aos observados em regiões de maior instabilidade geológica.
