A repercussão internacional da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro ganhou novos contornos neste sábado, após declarações do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nas redes sociais.
Em uma postagem, o agora ex-parlamentar utilizou o episódio para fazer ataques diretos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a outros líderes políticos associados ao Foro de São Paulo, articulação que reúne partidos e movimentos de esquerda da América Latina e do Caribe.
Na manifestação, Eduardo Bolsonaro afirmou que o governo venezuelano teria papel central no financiamento e na sustentação política do Foro de São Paulo e sugeriu que a prisão de Maduro poderia provocar consequências para outros chefes de Estado alinhados ao grupo.
O tom adotado gerou forte repercussão, uma vez que o ex-deputado indicou que Lula e outros líderes latino-americanos enfrentariam momentos difíceis a partir desse novo cenário político.
O regime venezuelano é o pilar financeiro, logístico e simbólico do Foro de São Paulo.
Com a captura de Maduro vivo, agora Lula, Petro e os demais do Foro de São Paulo terão dias terríveis, anotem. Viva a liberdade! pic.twitter.com/gNlhp30lsP
— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) January 3, 2026
As declarações ocorrem em meio a uma escalada de tensão após a confirmação, feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que forças norte-americanas realizaram uma operação militar de grande porte na Venezuela.
Segundo o governo americano, a ação resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cília Flores, durante a madrugada. A informação provocou reações imediatas tanto dentro quanto fora do país sul-americano. Autoridades dos Estados Unidos reforçaram que Maduro deverá responder a acusações graves na Justiça americana.
A procuradora-geral Pam Bondi afirmou que o líder venezuelano será submetido aos tribunais do país, onde enfrenta processos relacionados a crimes como conspiração ligada ao tráfico internacional de drogas e posse ilegal de armamentos.
As declarações reforçaram o discurso adotado por Washington de que a operação teria respaldo legal e objetivos específicos. Do lado venezuelano, a resposta foi imediata.
O governo solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, alegando que a ofensiva norte-americana violou princípios do direito internacional.
O pedido foi formalizado pelo ministro das Relações Exteriores, Yván Gil Pinto, que classificou a ação como unilateral e sem justificativa, apontando que ataques atingiram áreas civis e militares em diferentes regiões do país.
O episódio amplia o clima de instabilidade política na América Latina e reacende debates sobre soberania, ingerência externa e os impactos regionais de decisões tomadas por grandes potências.
Enquanto isso, declarações de lideranças políticas continuam alimentando tensões e dividindo opiniões no cenário internacional.
