Doenças dolorosas têm um impacto profundo na rotina das pessoas, especialmente quando surgem de forma inesperada e persistente. A dor constante, muitas vezes difícil de explicar ou controlar, afeta o sono, o humor e a capacidade de trabalhar, além de comprometer a saúde emocional.
Entre essas condições, algumas chamam atenção não apenas pela intensidade dos sintomas, mas também pelo crescimento acelerado do número de casos, como vem ocorrendo com a herpes-zóster no interior de São Paulo.
Dados do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Piracicaba mostram um aumento expressivo nos atendimentos relacionados à doença nos últimos cinco anos. Em 2020, foram registrados 124 atendimentos ambulatoriais e hospitalares.
Já entre janeiro e outubro de 2025, esse número saltou para 992 casos, evidenciando uma curva de crescimento que preocupa especialistas e autoridades de saúde. Tradicionalmente associada a pessoas acima dos 50 anos, a herpes-zóster também tem sido diagnosticada em pacientes mais jovens.

O infectologista Tufi Chalita explica que essa mudança de perfil pode estar ligada ao estilo de vida moderno. Segundo ele, níveis elevados de estresse físico e emocional contribuem para a queda da imunidade, criando condições favoráveis para a reativação do vírus.
A herpes-zóster é causada pelo mesmo vírus da catapora, adquirido geralmente na infância. Após a infecção inicial, o vírus permanece adormecido no organismo por décadas e pode se manifestar novamente em algum momento da vida.
Quando isso acontece, surgem dores intensas e lesões na pele, geralmente em forma de bolhas, acompanhadas de sensações como queimação, ardência ou choques elétricos. Além do desconforto imediato, a doença pode evoluir para complicações prolongadas.
A mais comum é a neuralgia pós-herpética, caracterizada por dor persistente que pode durar meses ou até anos, afetando significativamente a qualidade de vida. Em situações raras, o vírus pode atingir o sistema nervoso central.
O diagnóstico é clínico e o tratamento deve ser iniciado o quanto antes, preferencialmente nas primeiras 72 horas após o surgimento dos sintomas. Antivirais e medicamentos para controle da dor fazem parte da abordagem padrão.
Diante do avanço dos casos, especialistas reforçam a importância de atenção aos primeiros sinais e da busca rápida por atendimento médico, especialmente em um cenário em que o estresse tem se tornado parte constante da vida moderna.
