A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou oficialmente, nesta terça-feira, 30 de junho de 2026, seu desligamento do cargo de presidente nacional do PL Mulher.
O comunicado foi feito por meio de nota oficial, na qual Michelle esclareceu que a decisão foi tomada após diálogos com seu marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e formalizada em reunião realizada na tarde de hoje com o presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto.
Segundo o texto, o principal motivo para o afastamento é a necessidade de dedicação integral aos cuidados de sua família, especificamente de seu cônjuge e de sua filha.
O anúncio de sua saída ocorre na esteira de um forte desgaste político e de um racha que se tornou público nos últimos dias envolvendo seu enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em manifestações recentes, Michelle relatou ter sido desrespeitada, humilhada e maltratada pelo parlamentar durante uma conversa que ocorreu por telefone. O caso chama atenção.
O estopim do desentendimento técnico-político remonta ao fim de 2025, motivado por divergências sobre as estratégias eleitorais do PL no estado do Ceará, onde a ex-primeira-dama se posicionou frontalmente contra uma aproximação com o ex-ministro Ciro Gomes, articulação que era defendida e chancelada por Flávio.
De acordo com os relatos de Michelle, o senador teria afirmado que ela carecia de experiência política e deveria se abster de interferir nas decisões e composições partidárias da legenda.
A ex-primeira-dama também acusou interlocutores ligados ao senador de orquestrarem ataques virtuais à sua imagem nas plataformas digitais, classificando o episódio como uma traição nos bastidores do grupo.
Em resposta à repercussão do caso, o senador Flávio Bolsonaro emitiu uma nota oficial de retratação, pedindo desculpas públicas caso a madrasta tenha se sentido ofendida e ressaltando o reconhecimento de sua relevância institucional e familiar.
Posteriormente, em agendas de pré-campanha, o parlamentar declarou que o episódio era uma “página virada” e que o assunto encontrava-se superado. Apesar de abrir mão do comando da ala feminina do partido em decorrência da crise e do foco nos cuidados familiares, o recuo de Michelle Bolsonaro restringe-se à liderança interna da bancada de mulheres.
Conforme bastidores políticos, a ex-primeira-dama ainda mantém sob avaliação o planejamento de sua própria carreira eleitoral, considerando uma eventual candidatura ao Senado Federal pelo Distrito Federal nas eleições deste ano.
