A história de Deivison Andrade de Lima, de 23 anos, é um exemplo devastador dos perigos do “justiçamento” e da desinformação. Em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, o jovem perdeu a vida após ser brutalmente linchado por um crime que não cometeu.
A vítima do crime original, Kelly Cristina Ferreira de Quadros, foi encontrada morta em uma área de mata no dia 16 de janeiro de 2026. Um crime que causou feridas em todos os familiares.
Movidos por um desejo de vingança e pela convicção infundada de que Deivison seria o culpado, familiares da mulher o atacaram no dia 18 de janeiro, deixando-o em um estado crítico que resultou em sua morte oito dias depois, na segunda-feira, 26 de janeiro.
Enquanto Deivison lutava pela vida em um leito de hospital, a verdade começou a emergir pelos canais oficiais de investigação. Apenas um dia após o linchamento, em 19 de janeiro, a Polícia Civil prendeu o verdadeiro autor do homicídio de Kelly.
Se trata de um homem de 43 anos, identificado com o auxílio de câmeras de monitoramento. O suspeito confessou o crime, motivado por um desentendimento durante o consumo de drogas, e detalhou o uso de uma pedra e um pedaço de madeira no ataque.
A confissão e a localização das provas materiais confirmaram que Deivison era, de fato, completamente alheio àquela tragédia, tornando-se vítima de uma segunda.
A investigação agora enfrenta um novo e complexo desafio jurídico. Embora o homicídio de Kelly tenha sido solucionado rapidamente, a identificação dos responsáveis pelo linchamento de Deivison ainda está em estágios iniciais.
A polícia só tomou conhecimento do ataque ao jovem no dia 25 de janeiro, quando sua família resolveu registrar o boletim de ocorrência, apenas um dia antes do seu falecimento.
Até o momento, nenhum suspeito do ataque ao rapaz foi oficialmente identificado ou preso pela corporação. Este caso evidencia o abismo perigoso entre a velocidade dos boatos e o tempo necessário para uma investigação técnica e justa.
Deivison possuía passagens pela polícia por outros motivos, mas nenhuma delas tinha qualquer relação com o destino de Kelly. Agora, as autoridades de Ponta Grossa trabalham para que aqueles que decidiram aplicar a “lei das ruas” respondam pelo crime.
