O quadro clínico do ex-presidente Jair Bolsonaro, internado no Hospital DF Star em Brasília, ganhou novos e detalhados contornos neste início de semana.
Além das complicações pós-operatórias imediatas, a defesa do ex-presidente trouxe a público dados alarmantes sobre suas comorbidades crônicas para reforçar a necessidade de monitoramento contínuo fora do ambiente prisional.
De acordo com documentos enviados ao STF e apurações da revista Veja, Bolsonaro enfrenta um quadro severo de apneia do sono. Exames anexados ao processo revelam que, em uma única noite, ele chegou a parar de respirar 514 vezes.
Após um fim de semana marcado por instabilidade na pressão arterial e o retorno das crises de soluços, a equipe médica programou para hoje uma intervenção específica:
O objetivo é interromper o estímulo nervoso que causa as contrações involuntárias do diafragma (soluços), que persistem mesmo após a cirurgia de hérnia realizada no Natal.
O boletim é assinado por uma junta que inclui o cirurgião geral Claudio Birolini e os cardiologistas Leandro Echenique e Brasil Caiado. Bolsonaro segue realizando fisioterapia motora e respiratória, além de receber profilaxia (prevenção) contra trombose venosa.
A estratégia da defesa, ao expor detalhes como a anemia, o refluxo e a gravidade da apneia, visa sensibilizar o ministro Alexandre de Moraes para uma possível conversão da prisão em regime fechado para domiciliar ou hospitalar prolongada.
Os advogados argumentam que a estrutura da Superintendência da Polícia Federal, onde Bolsonaro está há 34 dias, não comporta os aparelhos e cuidados necessários para tratar tantas comorbidades simultâneas, especialmente após a “piora progressiva” detectada.
Neste momento, o ex-presidente encontra-se estável, aguardando os resultados do bloqueio nervoso realizado hoje. Muitos lamentam o ocorrido e mais detalhes deverão ser expostos em breve, conforme o andamento das investigações.
