Em meio às lembranças e ao silêncio que ainda ecoa no apartamento onde vivem no Rio de Janeiro, Tati Machado e Bruno Monteiro decidiram, pela primeira vez, compartilhar publicamente a dor da perda do filho Rael, que morreu aos oito meses de gestação, em maio.
O relato do casal marca um ponto de virada: entre a dor persistente e a escolha de seguir em frente, mesmo que com o coração marcado para sempre. A gravidez de Rael foi celebrada com entusiasmo, anunciada ao vivo no programa “Mais Você”.
Mas o Dia das Mães trouxe uma percepção inquietante: Tati notou que os movimentos do bebê haviam cessado. No dia seguinte, embora ainda tentasse manter a rotina, ela foi ao hospital após ler sobre a perda de um bebê por outra mãe.
O exame confirmou o que já temia: o coração de Rael havia parado. O parto, induzido, tornou-se um momento de despedida. O casal lembra que, apesar do sofrimento, aquele instante teve sua beleza e importância.
Sem explicações médicas concretas sobre a causa da morte, Tati e Bruno enfrentaram uma realidade difícil, marcada por rituais quebrados e expectativas desfeitas.
O retorno para casa, passando pelas portas decoradas da maternidade e ouvindo choros de recém-nascidos, trouxe uma dor que ela descreve como devastadora.
O apoio recebido no hospital, que a protegeu de interações com outras mães naquele momento sensível, é algo que ela reconhece como um privilégio raro. A vivência do casal se conecta à recente Lei do Luto Materno, sancionada em maio, que garante apoio psicológico a mães e pais que enfrentam perdas gestacionais.
Tati ressalta a importância de reconhecer o direito a documentos que registrem o nome dos bebês que não chegaram a viver fora do útero, pois, segundo ela, eles existiram e merecem ser lembrados.
A culpa, um sentimento persistente, também faz parte desse luto. Tati relata que ainda se sente responsável pelo que aconteceu, mesmo sabendo que não houve falha de sua parte.
Ao lado de Bruno, com quem compartilha o processo de terapia, ela busca forças para retomar a vida, respeitando o tempo de cada passo. A viagem recente à Amazônia, feita com a amiga Lexa, que também passou por uma perda semelhante, simbolizou um reencontro com a força interior e com a natureza como fonte de cura.
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Aos poucos, Tati retorna à televisão. Seu reencontro com o programa “Mais Você” e a participação especial na próxima edição do “Dança dos Famosos” marcam essa retomada.
Bruno observa esse retorno como parte de um processo de reconstrução, em que a alegria, traço marcante de Tati, reaparece com novas nuances.
Pensando no futuro, o casal não descarta uma nova tentativa de gravidez, mesmo reconhecendo que a dor vivida não será substituída.
Para eles, a construção de uma nova etapa familiar é movida por um amor que não se esgota. Na memória de Rael, fica a certeza de que a saudade é, como define Tati, o amor que permanece.
