Lucimar das Neves Ferreira, de 53 anos, um dos sobreviventes do histórico acidente radiológico com o césio-137, faleceu no último sábado, dia 25, no município de Aparecida de Goiânia, no estado de Goiás.
O episódio reacende as discussões sobre os impactos sociais e psicológicos permanentes vividos pelas vítimas e por seus familiares afetados pela contaminação radiológica ocorrida na capital goiana no final da década de 1980.
A tragédia, considerada um dos maiores acidentes nucleares em área urbana da história, continuou a gerar repercussões na vida dos envolvidos muito além dos danos diretos à saúde física e a situação gera um grande debate nas rede sociais.
Conforme relatos apresentados por sua mãe, Lourdes Alves Ferreira, em uma reportagem especial publicada no ano de 2017 pelo portal UOL, a família continuava a enfrentar quadros recorrentes de estigmatização e preconceito por parte da sociedade, mesmo após o decorrer de três décadas do acontecimento original.
Segundo o depoimento da mãe do sobrevivente, o sobrenome familiar tornou-se uma espécie de estigma associado ao evento radiológico, provocando reações de desconfiança e afastamento interpessoal em diferentes âmbitos do cotidiano, como no ambiente de trabalho, nas instituições de ensino e nos espaços de convivência comunitária.
Lourdes relatou situações de rejeição explícita no convívio social, destacando a dificuldade de desvincular a identidade da família da tragédia e a tentativa constante de mitigar a discriminação enfrentada diariamente.
O falecimento de Lucimar das Neves Ferreira evoca o debate sobre a permanência dos efeitos sociais e o preconceito vivenciado pelas pessoas expostas a acidentes com radiação no Brasil.
As marcas deixadas pelo episódio estenderam-se para além dos cuidados médicos, manifestando-se na marginalização social prolongada que acompanhou as trajetórias dos sobreviventes e de seus parentes ao longo dos anos.
