As consequências de um super El Niño podem ser sentidas em diferentes partes do mundo e afetar milhões de pessoas. Quando o fenômeno atinge intensidade acima da média, aumenta significativamente o risco de ondas de calor, secas prolongadas, chuvas intensas, enchentes e outros eventos climáticos capazes de impactar a agricultura, o abastecimento de água e até a economia.
Agora, uma nova projeção científica indica que o próximo episódio poderá ser o mais intenso já observado desde o início dos registros modernos, elevando a preocupação da comunidade internacional.
Pesquisadores da organização Berkeley Earth afirmam que existe cerca de 90% de probabilidade de o super El Niño em formação no Oceano Pacífico superar todos os eventos registrados nos últimos 150 anos.
As estimativas foram elaboradas com base em 14 modelos climáticos e apontam para um cenário considerado inédito em relação à intensidade do aquecimento das águas do Pacífico tropical.
Segundo as projeções, a temperatura da superfície do mar poderá alcançar uma anomalia de aproximadamente 3,6°C acima da média histórica. O número supera com folga o recorde registrado durante o forte El Niño de 2015 e 2016, quando a elevação chegou a cerca de 2,75°C.
Para especialistas, até mesmo os cenários mais conservadores indicam um fenômeno de grandes proporções. O fortalecimento do El Niño também tende a transferir uma quantidade ainda maior de calor dos oceanos para a atmosfera, potencializando os efeitos do aquecimento global causado pelas emissões de gases de efeito estufa.
Essa combinação pode favorecer a ocorrência de temperaturas recordes no planeta, além de ampliar episódios de calor extremo, estiagens, incêndios florestais, chuvas volumosas, enchentes, deslizamentos de terra e o branqueamento de corais.
Os cientistas avaliam que 2027 tem forte possibilidade de se tornar o ano mais quente já registrado no mundo. No entanto, caso o aquecimento continue acelerando, 2026 também poderá estabelecer um novo recorde global de temperatura.
No Brasil, os efeitos costumam variar de acordo com cada região. Historicamente, episódios de El Niño favorecem o aumento das chuvas no Sul do país, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.
