Os temporais que atingem Minas Gerais nas últimas semanas já colocam o atual período chuvoso entre os mais severos das últimas duas décadas. Dados da Defesa Civil Estadual apontam que 81 mortes foram confirmadas em todo o estado até o momento, superando o total registrado em 2019/2020, quando 74 pessoas perderam a vida.
O cenário ainda é considerado instável, uma vez que as buscas continuam em áreas afetadas, especialmente na Zona da Mata. Em Juiz de Fora, município mais impactado, o número de vítimas chega a 62.
O balanço divulgado pelo Corpo de Bombeiros em coletiva nesta sexta-feira contabiliza 58 corpos localizados pelas equipes de resgate. No entanto, a soma geral inclui pessoas que chegaram a ser socorridas com vida, mas não resistiram após atendimento hospitalar.
As operações seguem concentradas em três pontos da cidade, com destaque para o bairro Parque Burnier, na região Leste, onde o desabamento de 12 casas deixou mais de 20 pessoas soterradas.
Além das perdas humanas, o impacto social é expressivo. Mais de 4.200 moradores estão desalojados ou desabrigados, dependendo de abrigos públicos ou da solidariedade de familiares e amigos.
Desde o início das chuvas, na segunda-feira (23/2), a Defesa Civil municipal contabilizou 1.947 atendimentos relacionados a ocorrências como deslizamentos, alagamentos e riscos estruturais.
Somadas, Juiz de Fora e Ubá já concentram 68 mortes, número que, isoladamente, supera o total de vítimas registrado em 19 dos últimos 20 períodos chuvosos em Minas Gerais.
Outras cidades também confirmaram óbitos associados aos temporais, entre elas Eugenópolis, Sabará, São Thomé das Letras, Pouso Alegre, João Pinheiro, Santa Rita de Caldas, Muriaé, Santana do Riacho e Porteirinha.
Especialistas alertam que a combinação de solo encharcado, ocupação de áreas de encosta e volume elevado de chuva amplia o risco de novos deslizamentos. Ainda há previsões de muita chuva para a região.
Diante do cenário, autoridades reforçam a necessidade de monitoramento contínuo, investimentos em prevenção e planejamento urbano que reduza a exposição da população a áreas vulneráveis, especialmente em períodos de precipitação intensa.
