A formação de sistemas atmosféricos no Atlântico Sul costuma exigir atenção redobrada das autoridades, especialmente quando há previsão de atuação prolongada sobre o continente.
Nos últimos anos, eventos associados a áreas de baixa pressão têm provocado volumes expressivos de chuva em curto intervalo de tempo, elevando o risco de alagamentos e instabilidade em encostas.
Desta vez, meteorologistas acompanham a organização de um ciclone subtropical que pode influenciar o clima em diversas regiões brasileiras por quase uma semana. Segundo análises divulgadas pela plataforma Meteored, o sistema começou a se estruturar na costa do Sudeste e tende a adquirir características híbridas, típicas de ciclones subtropicais.
Diferentemente dos ciclones tropicais, que apresentam núcleo quente em toda a sua extensão, e dos extratropicais, associados a frentes frias, o subtropical combina ar quente em baixos níveis com ar frio em altitude.
Até o momento, não há indicativos de evolução para furacão, e a Marinha do Brasil ainda não incluiu o fenômeno na lista oficial de sistemas nomeados no Atlântico Sul. Modelos meteorológicos, como o europeu ECMWF, apontam possibilidade de acumulados incomuns entre 26 de fevereiro e 3 de março.
As áreas mais suscetíveis incluem a Zona da Mata de Minas Gerais, o Sul e a Zona da Mata do Rio de Janeiro, o litoral de São Paulo, o Espírito Santo, o Sul da Bahia, além de Goiás, Tocantins e o Sul do Paraná e de Santa Catarina. Em alguns pontos, os volumes podem ultrapassar 200 milímetros até o início da próxima semana.
A preocupação aumenta porque parte dessas regiões já enfrenta solo encharcado após temporais recentes. Em Minas Gerais, a Zona da Mata soma dezenas de mortes confirmadas pelo Corpo de Bombeiros, com destaque para Juiz de Fora e Ubá.
O Instituto Nacional de Meteorologia mantém alerta vermelho para precipitações superiores a 100 milímetros por dia, enquanto o Cemaden classifica como muito alta a probabilidade de novas enxurradas e deslizamentos.
Especialistas ressaltam que ciclones subtropicais apresentam maior complexidade de previsão devido à sua estrutura mista, exigindo monitoramento constante. Vale ressaltar que Minas Gerais vem sendo castigada por fortes temporais.
Diante do cenário, a Defesa Civil orienta moradores de áreas vulneráveis a acompanhar boletins oficiais e adotar medidas preventivas, reforçando que a preparação antecipada pode reduzir impactos estruturais e humanitários nos próximos dias.
