Em depoimento, coronel reclama de vida precária com PM Gisele: ‘Não valia a pena’

O coronel reclamou da vida precária que estava levando com a PM. Um vídeo trouxe maiores detalhes sobre o posicionamento dele.

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As investigações sobre o feminicídio da soldado Gisele Alves Santana, ocorrido em 18 de fevereiro, revelam um abismo entre o depoimento do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Júnior e as evidências técnicas colhidas pela Polícia Civil de São Paulo.

Em seus relatos ao 8º DP (Brás), o oficial de 53 anos tentou construir uma narrativa de suicídio, alegando que Gisele teria tirado a própria vida após ele comunicar o desejo de separação.

O coronel descreveu um suposto “momento meditativo” sob o chuveiro, onde refletia sobre o fim de uma união que ele classificava como uma “subvida” e um “perrengue”, apesar de ressaltar repetidamente sua posição como o provedor financeiro do lar.

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A versão de que Gisele estaria “surrada” e teria agido por desespero perde sustentação diante dos laudos periciais já integrados ao inquérito. A investigação identificou marcas de dedos no pescoço e na mandíbula da vítima, indicando esganadura.

Além disso, há um ferimento que sugere luta corporal e agressão direta antes do disparo fatal. Embora Geraldo Neto negue a autoria dessas marcas e tente pintar um retrato de Gisele como uma pessoa psicologicamente instável, há diversas controvérsias.

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Essas controvérsias foram evidenciadas pelo depoimentos de testemunhas e a análise técnica que apontaram que ele era a única pessoa presente no apartamento no momento da violência.

“Era melhor terminar o relacionamento, mesmo ainda gostando muito dela e ela de mim, mas aquele vida precária que eu estava tendo, não valia a pena”, declarou, ao falar sobre o assunto.

Além da acusação de feminicídio, o tenente-coronel é réu por fraude processual. Após Gisele ser socorrida e levada ao hospital, o oficial violou o isolamento da cena do crime para tomar um segundo banho dentro do imóvel.

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Um fato que gerou repercussão institucional foi a entrada do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan no apartamento ainda preservado. Isso está sendo investigado com mais detalhes.

A presença do magistrado, descrito pelo coronel como seu “melhor amigo”, motivou um pedido de providências pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para apurar a conduta do desembargador diante da obstrução do trabalho pericial.

Atualmente, Geraldo Neto permanece encarcerado no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte paulistana, enfrentando mandados de prisão expedidos tanto pela Justiça Militar quanto pela comum.

Enquanto o oficial mantém sua defesa pautada na tese de suicídio, o Ministério Público e a Polícia Civil avançam com provas que indicam uma tentativa deliberada de alterar a dinâmica dos fatos para ocultar o crime.

A história de Gisele, que era mãe de uma criança de 7 anos e tentava reconstruir sua vida em meio a uma crise conjugal, agora aguarda o desfecho nos tribunais e mais detalhes deverão ser expostos, em breve.

Escrito por

Juliana Gomes

Colunista de notícias dedicada a escrever sobre os mais diversos assuntos. Sempre fui apaixonada pela arte da escrita e pela literatura.