Albanita Aires Marques Vilas Boas não fazia ideia do que viveria quando saiu de casa na última segunda-feira. Ela, que mora em Formoso, costuma viajar para Goiânia com frequência, para cuidar da mãe.
Foi numa dessas viagens, quando tinha acabado de chegar na cidade, que foi abordada por uma adolescente em situação de vulnerabilidade. Albanita conta que a menina se aproximou e pediu ajuda, relatando que tinha fugido de casa.
“Ela disse que tinha acabado de fugir de casa, que não aguentava mais apanhar. Foi nesse momento que me tocou e pedi para ela sentar do meu lado e fiz a ligação para o pai dela”, contou.
A menina, natural do Entorno do Distrito Federal, havia fugido da casa da mãe, no Setor Leste Vila Nova, após dois anos de abusos. No imóvel moravam a adolescente, a mãe dela, o padrasto e uma outra mulher, que mantinha uma relação com o casal.
Por dois anos, a menina enfrentou uma rotina de abusos físicos e psicológicos, que incluíam a privação de alimentos e higiene, além de castigos físicos que incluíam surras com pedaços de madeiras e fios.
Com a ajuda de Albanita, a menor conseguiu ligar para o pai, que continuava morando no DF e havia perdido contato com a filha. A polícia foi acionada e os três adultos, envolvidos nos crimes de maus-tratos, foram presos.
“Ela [mãe] falou: ‘não, ela tá bem, tá vivendo’. Mas nunca deixou eu ter contato com ela. Aí, pela situação em que a minha filha ficou, vi que ela estava sendo mantida em cárcere privado, presa, dormindo no chão”, contou o pai, que preferiu não ser identificado.
Após tomar conhecimento da situação, o homem viajou para Goiânia para se reunir com a filha. Para a polícia, ele contou que a mãe da menina não deixava que ele tivesse contato com a filha.
