O que deveria ser o início de uma jornada em busca de sustento e da realização de sonhos transformou-se em um cenário de horror na Rodovia Transbrasiliana (BR-153), no interior de São Paulo.
Na madrugada de segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, um ônibus que transportava mais de 40 trabalhadores rurais do Maranhão com destino à colheita de maçãs em Santa Catarina tombou, deixando um rastro de dor: sete mortos e 45 feridos.
Em meio aos destroços, histórias de sobrevivência e pressentimentos marcam o relato dos passageiros. Maria Divina dos Santos, que viajaria para cozinhar para o grupo, tornou-se protagonista de um ato de bravura ao quebrar a janela do ônibus com as próprias mãos.
Ela ficou ferida no processo, mas fez isso para conseguir salvar seu marido. Infelizmente, nem todos tiveram a mesma sorte. Santana Barros, de 30 anos, uma das vítimas fatais, deixou um registro arrepiante em suas redes sociais horas antes do acidente.
Ela filmou o veículo trafegando com um pneu a menos em um dos eixos após um problema mecânico. “O ônibus só vai com um pneu agora. Um pneu, meu Deus… Que Deus proteja nós.”, disse Santana Barros, em vídeo gravado antes do tombamento.
A Polícia Civil e o Ministério Público do Trabalho (MPT) agora unem forças para apurar as responsabilidades. O cenário desenhado pelas autoridades é de grave negligência. Segundo a PRF, o ônibus não possuía autorização da ANTT para realizar viagens interestaduais.
O MPT identificou sinais de infrações trabalhistas na contratação. Os trabalhadores relataram ter recebido R$ 1.000 para a viagem, valor que seria futuramente descontado de seus salários (caracterizando possível servidão por dívida).
Claudemir Moraes Moura foi preso em flagrante e responderá por homicídio e lesão corporal na direção de veículo automotor. Ele permanece internado sob escolta policial. A comunidade de Vila Conceição, em Imperatriz, e outras cidades como Presidente Médici e Araguanã pararam para receber os corpos das vítimas.
O clima é de revolta e tristeza profunda, já que todos os envolvidos eram conhecidos por trabalharem na colheita de açaí e buscavam na maçã catarinense uma alternativa de renda para suas famílias.
Até o momento, o jovem Jonas da Costa Silva, de 21 anos, permanece em estado grave na UTI do Hospital das Clínicas em Marília, sendo a última esperança de recuperação entre os feridos mais críticos.
