Até mesmo nomes conhecidos do futebol, acostumados aos holofotes e à admiração das arquibancadas, podem acabar envolvidos em investigações policiais e suspeitas de ilícitos. A trajetória construída dentro de campo nem sempre impede que decisões fora dele levem a consequências graves.
Foi o que ocorreu com um ex-goleiro da seleção paraguaia, surpreendendo torcedores e movimentando o noticiário esportivo e policial no Paraguai. Víctor Hugo Centurión Miranda foi preso na última sexta, dia 20 de fevereiro, durante a segunda fase da Operação Nexus, conduzida pela Polícia Nacional do Paraguai.
O ex-goleiro teve passagem marcante pelo Club Olimpia e chegou à final da Libertadores em 2013, consolidando seu nome entre os torcedores do país. De acordo com as investigações, Centurión é acusado de envolvimento com tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.
As autoridades apontam que ele teria ligação com Sebastián Marset, considerado um dos criminosos mais procurados da atualidade. Marset, nascido no Uruguai, também teve passagem pelo futebol profissional antes de se tornar alvo de investigações internacionais.
Segundo informações divulgadas pela imprensa paraguaia, o ex-goleiro teria exercido funções logísticas dentro do suposto esquema, como organização de transporte, obtenção de aeronaves, combustível e manutenção.
A notoriedade conquistada no esporte também teria sido usada, conforme a apuração, para facilitar negociações e movimentações financeiras. Além de Centurión, outros nomes ligados ao esporte foram alcançados pela operação, como o ex-jogador de futsal Luis Molinas, do Cerro Porteño, e o ex-dirigente Dionisio Manuel Cáceres, associado ao Club Rubio Ñu.
Marset, apontado como líder do chamado Primeiro Cartel Uruguaio, também é investigado por conexões com a organização criminosa italiana ’Ndrangheta. Autoridades internacionais oferecem recompensa milionária por informações que levem à sua captura.
O caso lança luz sobre uma realidade desconfortável: a fama esportiva não é blindagem contra investigações. Ídolos podem se ver no centro de operações policiais complexas, mostrando que reputação e responsabilidade caminham lado a lado, dentro e fora dos gramados.
