Após a agressão sofrida em uma escola do Distrito Federal viralizar, o professor atacado pelo pai de uma aluna quebrou o silêncio, em uma carta aberta que repercutiu nesta última quarta-feira, dia 22 de outubro.
No texto, endereçado ao advogado do agressor, o docente desabafou sobre a violência e os desafios da profissão, afirmando que “sobrevivente” seria uma palavra mais adequada para descrevê-lo após 25 anos de carreira.
O portal LeoDias divulgou a carta na íntegra. Nela, o professor critica a falta de limites dos alunos. “Muitos chegam à sala sem respeitar qualquer tipo de limite que deveria ser ensinado no ambiente familiar. Tratam seus professores como subalternos”, contou.
O professor desabafou dizendo que para muitos, ouvir um não, é algo inadmissível. Com a notícia da carta, a crítica do professor à sociedade também veio à tona.
INACEITÁVEL! Minha total solidariedade ao professor que foi agredido de forma covarde dentro de uma escola. O agressor precisa ser punido com rigor. O nosso coletivo Educação em 1° Lugar trabalha para mudar essa realidade terrível, aumentando as penas dos agressores. pic.twitter.com/CgeOGvMXdO
— Celso Giannazi (@CelsoGiannazi) October 21, 2025
Com isso, ele lamentou que os problemas da educação só ganham visibilidade “quando vem a tragédia”. “Aí, quando vem a tragédia, muitos correm para apontar o dedo para os culpados. Quem sabe a culpa é do ‘professor’, entre aspas?”, disparou, em tom de ironia.
A agressão, ocorrida no Centro Educacional 4 do Guará, foi registrada por câmeras de segurança. As imagens mostram o pai da aluna, Thiago Lênin Sousa, invadindo a sala da coordenação e desferindo socos na cabeça do professor.
Em uma cena chocante, a própria filha tenta conter o pai, aplicando um “mata-leão” nele para parar a briga. O conflito começou de forma banal.
O professor havia pedido para que a aluna parasse de mexer no celular durante a aula. A atitude gerou um desentendimento, e o pai foi chamado à escola, onde, em vez de dialogar, partiu para a agressão física contra o educador.
No momento, o caso é investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal. A carta aberta do professor gerou uma grande onda de solidariedade da categoria e um intenso debate nas redes sociais sobre a violência e o desrespeito enfrentados pelos educadores.
