Medidas restritivas impostas pela Justiça são criadas para garantir a ordem, proteger investigações em andamento e preservar a credibilidade do sistema jurídico. Quando quebradas, levantam dúvidas sobre a eficácia das decisões e a responsabilidade de quem as descumpre.
Foi exatamente o que ocorreu com o senador Marcos do Val (Podemos-ES), que voltou a desafiar abertamente as regras estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na tarde desta sexta, dia 22 de agosto, o parlamentar realizou uma transmissão ao vivo em suas redes sociais, mesmo estando proibido de utilizá-las, seja de forma direta ou indireta.
Durante pouco mais de uma hora, ele fez duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes e, em um gesto simbólico, exibiu a tornozeleira eletrônica que é obrigado a usar para monitoramento judicial.
Essa não foi a primeira vez que o senador decidiu mostrar o equipamento. Dias antes, no plenário do Senado, ele levantou a calça e expôs a tornozeleira durante um discurso. O ato foi interpretado por analistas políticos como uma forma de afronta ao Judiciário e de reforço de sua imagem junto a apoiadores que criticam as decisões do STF.
Do Val já havia chamado atenção no fim de julho, quando viajou aos Estados Unidos utilizando passaporte diplomático, apesar de estar proibido de deixar o Brasil. Na ocasião, ao retornar, foi alvo de uma operação da Polícia Federal no aeroporto de Brasília. Veja o vídeo:
Ele é investigado por suposta tentativa de articular um plano para anular a eleição presidencial de 2022 e por ataques a investigadores da PF. Além do monitoramento eletrônico, as medidas contra o senador incluem recolhimento domiciliar noturno, bloqueio de bens e recursos.
A Advocacia do Senado estuda recorrer ao STF para contestar parte dessas restrições, sobretudo a retenção integral de salário e verbas de gabinete. A situação reforça a tensão entre o Judiciário e políticos investigados, levantando debates sobre até que ponto as medidas judiciais conseguem ser eficazes.
