O relato compartilhado por Carlos Bolsonaro na noite desta quinta-feira, 19 de março de 2026, trouxe um tom de vulnerabilidade inédito à internação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que já completa uma semana em Brasília.
Ao descrever o que chamou de “um dos dias mais difíceis”, o ex-vereador detalhou o impacto emocional de encontrar o pai em um estado de profunda prostração física.
Segundo ele, o ex-mandatário apresentava uma sensibilidade extremamente elevada devido à potência das medicações, sendo encontrado “apagado” em uma cadeira e soluçando enquanto dormia.
A cena foi tão impactante que Carlos admitiu ter recuado para o corredor para tentar se recompor antes de conseguir, de fato, entrar no quarto e fazer um carinho no pai, que sequer esboçou reação ao toque. ‘Saio destruído’, declarou ele.
Diagnosticado com pneumonia por broncoaspiração, Jair Bolsonaro deu entrada no hospital na última sexta-feira, 13 de março, apresentando sintomas severos que o mantiveram na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) durante os primeiros três dias.
Desde a última segunda-feira, no entanto, houve uma transição para a unidade semi-intensiva, o que indica uma estabilização nos sinais vitais, embora a gravidade da infecção ainda exija cuidados rigorosos.
O boletim médico mais recente confirma que o tratamento segue focado na antibioticoterapia endovenosa e em um suporte clínico intensivo, com sessões frequentes de fisioterapia respiratória e motora para evitar complicações pulmonares permanentes.
Apesar dessa movimentação interna no hospital, a equipe médica ainda não trabalha com uma previsão de alta. Paralelamente à batalha pela saúde, a defesa de Bolsonaro intensifica os esforços nos tribunais superiores para alterar as condições de sua custódia.
Na última terça-feira, os advogados protocolaram junto ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Federal Tribunal (STF), um novo pedido de reconsideração para a concessão de prisão domiciliar.
Confesso que, por algum motivo, hoje foi um dos dias mais difíceis ao visitar o Presidente Jair Bolsonaro.
Ao entrar no quarto, me deparei com aquele homem forte “apagado” na cadeira, com a cabeça baixa, soluçando enquanto dormia. Precisei recuar. Fiquei alguns minutos em… pic.twitter.com/dAEREmgQFf
— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) March 19, 2026
O argumento central é que o estado clínico delicado justifica uma medida humanitária, uma vez que o ex-presidente cumpre uma pena de 27 anos e 3 meses por seu papel na liderança de tramas golpistas.
A decisão de Moraes é aguardada com expectativa, pois definirá se o retorno de Bolsonaro após a internação será para a unidade prisional do 19º Batalhão da PM ou para sua residência.
