O Carnaval de Salvador de 2026 chegou ao fim com números expressivos para o turismo e a economia baiana. Hotéis lotados, aumento na geração de empregos temporários e milhões injetados no comércio reforçaram a força da festa, considerada uma das maiores manifestações culturais do país.
A capital baiana, que recebe foliões de diversas partes do Brasil e do exterior, mais uma vez celebrou a música, a diversidade e a herança afro-brasileira que molda sua identidade.
No entanto, em meio ao clima de celebração, dois episódios de racismo registrados em camarotes no circuito Barra-Ondina trouxeram reflexão sobre desafios que ainda persistem.
Um dos casos envolveu o psicólogo Manoel Rocha Reis Neto, que publicou em suas redes sociais um relato sobre uma situação ocorrida no Camarote Ondina, no dia 16 de fevereiro.
No texto, divulgado em 17 de fevereiro, ele descreveu ter sido ignorado repetidamente ao pedir passagem em meio ao público e afirmou que precisou elevar o tom para ser respeitado. Segundo ele, a experiência despertou sentimentos ligados à condição de homem negro em espaços sociais.
Horas após a publicação, Manoel foi encontrado sem vida em Santo Antônio de Jesus. A Polícia Civil informou que não comenta ocorrências registradas como suicídio, mas infelizmente a mais uma vida foi ceifada por causa do preconceito.
Formado em Psicologia pelo Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e com pós-graduação em Saúde da Família, ele atuava em clínica particular com enfoque em psicanálise lacaniana. A morte gerou comoção entre colegas, amigos e entidades ligadas à saúde mental.
Especialistas ressaltaram a importância de ampliar o debate sobre o impacto do racismo estrutural e sobre os índices de suicídio entre homens negros no Brasil, que, segundo estudos acadêmicos, apresentam crescimento preocupante nos últimos anos.
A educadora social Bárbara Carine destacou, em manifestação pública, que não se pode ignorar as pressões sociais e históricas que atravessam essa população. Em nota, o Camarote Ondina lamentou o ocorrido e reafirmou compromisso com o respeito e a diversidade.
No dia seguinte, outro caso de discriminação racial foi registrado em um camarote da região, resultando na prisão em flagrante de um turista. Os episódios reforçam a necessidade de políticas efetivas de combate ao racismo e de fortalecimento das redes de apoio psicológico, para que a festa mantenha seu caráter inclusivo e acolhedor.
