Em uma operação intitulada “Contragolpe”, a Polícia Federal prendeu cinco pessoas suspeitas de articularem um golpe de Estado para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022.
A ação contou com cinco mandados de prisão, três de busca e apreensão, além de 15 medidas cautelares, como a proibição de contato entre investigados, suspensão de funções públicas e entrega de passaportes. O cumprimento ocorreu em diferentes estados, com acompanhamento do Exército Brasileiro.

Entre os detidos, estão militares de alto escalão, como o tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, ex-comandante de uma unidade especial em Manaus, e o general reformado Mário Fernandes, ex-ministro interino da Secretaria-Geral e assessor de Eduardo Pazuello.
Também foram presos o major Rafael Martins de Oliveira, envolvido na negociação de recursos para mobilizar manifestantes em Brasília, e outros oficiais. Investigações apontam que o grupo elaborou um plano detalhado chamado “Punhal Verde e Amarelo”, que previa ações como o assassinato de Lula e Geraldo Alckmin e a formação de um gabinete para gerenciar conflitos institucionais decorrentes do golpe.

O planejamento, segundo a PF, utilizava técnicas militares avançadas, evidenciando o alto nível de expertise dos envolvidos. Além disso, foram identificadas conversas revelando monitoramento estratégico de rotas de acesso ao TSE durante a diplomação dos eleitos.
As acusações incluem crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e formação de organização criminosa. Um ponto central das investigações é a participação do general Mário Fernandes em reuniões estratégicas com figuras do governo Bolsonaro, como Augusto Heleno, para discutir medidas golpistas.

Em julho de 2022, Fernandes sugeriu “ações enérgicas” contra o Tribunal Superior Eleitoral, criticando a credibilidade das urnas eletrônicas e defendendo uma resposta contundente antes do pleito.

Os desdobramentos dessa operação destacam a gravidade das ameaças à democracia brasileira e o envolvimento de figuras-chave nas Forças Armadas. O caso reforça a importância da vigilância institucional para evitar retrocessos e consolidar o Estado Democrático de Direito.
