Uma gravação recuperada de um dispositivo móvel tornou-se a evidência central para a elucidação do assassinato da corretora Daiane Alves Souza, em Caldas Novas.
O aparelho, que permaneceu submerso em uma caixa de dejetos do edifício por quarenta e um dias, foi localizado pelos agentes da Polícia Civil em 30 de janeiro de 2026, após a indicação do próprio agressor, o síndico Cléber Rosa de Oliveira.
O conteúdo extraído pela inteligência policial registra os instantes finais da vítima, revelando que ela filmava a interrupção do fornecimento elétrico de sua unidade quando confrontou o administrador no subsolo do condomínio.
As imagens preservadas no dispositivo demonstram que o crime foi executado mediante uma emboscada planejada. No registro, Daiane questiona a conduta de Cléber ao encontrá-lo próximo aos medidores de energia.
De acordo com a autoridade policial, o síndico utilizava luvas e capuz no momento da abordagem, desferindo dois disparos contra a região craniana da corretora.
A motivação do ato estaria vinculada a uma disputa profissional e financeira, iniciada quando a vítima assumiu a gestão de imóveis anteriormente administrados pelo agressor.
Diante do conjunto probatório, a Polícia Civil tipificou a conduta de Cléber como homicídio triplamente qualificado — abrangendo motivação torpe, emprego de meio cruel e emboscada, além do delito de ocultação de cadáver.
Quanto ao descendente do suspeito, Maicon Douglas, a investigação descartou sua participação direta na execução do crime, embora ele tenha sido detido inicialmente sob suspeita de interferência na preservação de evidências.
A defesa do administrador aguarda a análise integral dos relatórios conclusivos para formalizar sua manifestação jurídica. Este desdobramento encerra uma etapa crucial de um caso que mobilizou o estado de Goiás desde o desaparecimento da corretora;
O histórico de perseguição sistemática, já objeto de denúncias anteriores por parte do Ministério Público, culminou no desfecho trágico agora documentado pelo próprio celular da vítima.
A recuperação dos dados digitais em um ambiente de extrema hostilidade física reforça o papel da tecnologia pericial na resolução de crimes de violência contra a mulher em ambientes privados e profissionais.
