A tentativa de separar duas irmãs gêmeas siamesas terminou de forma trágica no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP. Heloíza e Helena, de dois anos e sete meses, morreram no último sábado, após serem submetidas à etapa final de um tratamento que já envolvia outras cirurgias.
As meninas eram unidas pela cabeça e passaram por um procedimento de aproximadamente 15 horas. Segundo o hospital, a operação fazia parte de um processo iniciado anteriormente e tinha como objetivo concluir a separação das irmãs.
Mais de 50 profissionais participaram diretamente da cirurgia. Em uma publicação nas redes sociais, Allison Roberto da Silva, enfermeiro e gestor do bloco cirúrgico da instituição, lamentou a morte das crianças e destacou o trabalho realizado pela equipe médica.
O profissional afirmou que o procedimento foi conduzido de maneira adequada, mas reconheceu que nem todas as circunstâncias podem ser controladas. Ele também prestou solidariedade aos familiares e disse ter orgulho dos profissionais envolvidos no atendimento.
Na véspera da operação, parentes das meninas ainda compartilhavam mensagens de esperança. Elenice Santos, tia das crianças, havia pedido orações e manifestado confiança de que a cirurgia representaria o início de uma nova fase para as irmãs.
A família deixou São José dos Campos e passou a viver em Ribeirão Preto para acompanhar o tratamento. Claudilene e Amarildo, pais das gêmeas, também são responsáveis por outros dois filhos.
Segundo os familiares, a mudança foi necessária para que Heloíza e Helena tivessem acesso ao tratamento especializado. Eles relataram ainda enfrentar dificuldades financeiras, com despesas de moradia, alimentação e transporte, e atualmente contar com auxílios para manter a família.
O Hospital das Clínicas informou que deverá realizar uma coletiva de imprensa para apresentar mais informações sobre o procedimento e esclarecer as circunstâncias das mortes.
