A região metropolitana do Recife testemunhou, no último domingo, mais um capítulo desolador da persistente violência de gênero que assola o país.
O assassinato de Sandra Justino de Barros, uma mulher de apenas 37 anos, no bairro de Pau Amarelo, em Paulista, revela não apenas a brutalidade de um ato isolado, mas o desfecho trágico de um ciclo de obsessão e controle que se arrastava desde o início do ano.
Sandra foi encontrada morta em sua própria residência, localizada na Rua Alcino Ferreira da Paz, onde vivia há pouco tempo em uma tentativa de reconstruir sua vida longe do ex-marido, Antônio Carlos, de 46 anos.
O laudo da declaração de óbito confirma a violência extrema do ataque, apontando um traumatismo cranioencefálico provocado por meio contundente, em uma cena de crime marcada pela ausência de armas, o que sugere um ataque direto e físico.
A prisão em flagrante do suspeito ocorreu na segunda-feira, na cidade de Buíque, no Agreste pernambucano, após uma operação coordenada pela Delegacia de Santa Cruz do Capibaribe.
Os relatos da filha mais velha de Sandra, Débora Almeida, e de sua amiga de longa data, Micheline Lopes, pintam o retrato de um homem incapaz de aceitar o fim do relacionamento, ocorrido em fevereiro devido a agressões físicas recorrentes.
Segundo os depoimentos, Antônio Carlos utilizava as câmeras de segurança de sua própria hamburgueria para monitorar os passos da ex-mulher, que estava em um bar vizinho momentos antes do crime.
A perseguição teria continuado pelas ruas do bairro, com o agressor utilizando uma Kombi para seguir a vítima até sua casa. É profundamente angustiante notar que uma vizinha chegou a ver Sandra agonizando por volta das seis horas da manhã.
Porém, o socorro não chegou a tempo devido ao medo provocado pelo cachorro da residência, fazendo com que a família só tomasse conhecimento da tragédia por volta das treze horas.
Hoje, terça-feira, 17 de março de 2026, enquanto o corpo de Sandra é velado e sepultado no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, a comunidade clama por uma resposta rigorosa do sistema judiciário.
O comportamento descrito pelas testemunhas, que inclui humilhações públicas na frente de clientes, ciúme doentio e a recusa sistemática em respeitar o pedido de divórcio, serve como um alerta sombrio sobre os perigos de um relacionamento abusivo.
A Polícia Civil mantém o inquérito aberto para esclarecer todos os detalhes da dinâmica do feminicídio, enquanto o público aguarda o posicionamento do Tribunal de Justiça sobre a manutenção da prisão do acusado.
Este caso reforça a necessidade urgente de redes de apoio mais eficazes e vigilantes, pois, como pontuado pela própria família, a morte de Sandra deixa um vazio irreparável para suas duas filhas e uma ferida aberta na sociedade pernambucana.
