A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a protagonizar falas de forte teor político neste sábado (16), durante um evento do Partido Liberal na cidade de Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte.
Diante de apoiadores e ao lado do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, Michelle direcionou críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chegando a chamá-lo de “cachaceiro” e responsabilizando-o por mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos de baixa renda e pessoas com deficiência.
No discurso, Michelle afirmou que Lula teria retirado direitos de beneficiários do programa e usado a falta de água no Nordeste como ferramenta política. Na fala, acusou o atual presidente de agir com maldade para se apresentar como “salvador” da população.
Em seguida, intensificou os ataques, usando termos pejorativos para qualificá-lo, e disse que sua conduta seria marcada por irresponsabilidade. A ex-primeira-dama também falou sobre a situação de seu marido, Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar desde o início de agosto por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
O ex-presidente é acusado de descumprir medidas cautelares no processo em que responde por tentativa de golpe de Estado em 2022. Michelle destacou que ele não pôde comparecer ao evento devido à restrição judicial e afirmou que a situação entristece sua família.
A Michelle Bolsonaro adjetivou o Lula de pinguço, cachaceiro e ainda chamou 60 milhões de brasileiros que votaram nele de burros, mas se alguém der a opinião sobre o que ela fazia antes de casar com o Bolsonaro, leva processo. Essa é a liberdade de expressão bolsonarista, em que… pic.twitter.com/iOZiwfcEZa
— Vinicios Betiol (@vinicios_betiol) August 16, 2025
Apesar da condição jurídica de Bolsonaro, Michelle afirmou que acredita em um retorno do marido ao Palácio do Planalto. “Para a presidência tem nome e sobrenome: Jair Messias Bolsonaro. Ele vai voltar, a justiça vai ser feita”, declarou ao público, sendo aplaudida por apoiadores presentes.
O cenário, no entanto, aponta limitações concretas. Jair Bolsonaro está atualmente inelegível até 2030, em decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o condenou por abuso de poder político.
Mesmo diante dessa barreira, a ex-primeira-dama tem assumido cada vez mais protagonismo nos atos públicos do PL, sendo vista por parte da base como uma voz de articulação capaz de manter o bolsonarismo ativo no campo político.
O episódio em Natal reforça a estratégia de Michelle Bolsonaro de intensificar sua presença em eventos partidários e regionais, mantendo a militância mobilizada.
Para analistas, a postura também pode sinalizar uma tentativa de consolidar sua própria imagem política, caso as limitações judiciais de Jair Bolsonaro se mantenham nos próximos anos.
Enquanto isso, a disputa narrativa entre governo e oposição se mantém acirrada, com discursos cada vez mais polarizados no cenário nacional. O STF marcou o início do julgamento de Bolsonaro e demais réus pela suposta tentativa de golpe de Estado para o dia 2 de setembro
