A omissão pode ser tão grave quanto a própria ação. Em momentos de risco, virar as costas para alguém em perigo é mais do que uma escolha, é uma responsabilidade ignorada. Esse é o centro do caso que voltou a ganhar destaque no Paraná.
O Ministério Público do Estado (MPPR) denunciou Thayane Smith por omissão de socorro, após ela deixar o amigo Roberto Farias para trás durante uma escalada no Pico Paraná, o ponto mais alto do Sul do Brasil.
De acordo com a denúncia da 2ª Promotoria de Justiça de Campina Grande do Sul, Thayane teria abandonado Roberto mesmo percebendo que ele estava debilitado. O jovem já apresentava sinais de exaustão, havia vomitado e tinha dificuldade para caminhar.
Apesar das condições adversas, com frio, chuva, neblina e terreno escorregadio, a denunciada optou por seguir sozinha, sem prestar assistência ou acionar ajuda imediata. O MPPR considerou que a conduta da jovem foi dolosa, ou seja, ela tinha plena consciência da situação de vulnerabilidade do amigo.
Além de deixar Roberto para trás, Thayane teria permanecido no local sem colaborar com as buscas, atitude que reforçou o entendimento de omissão.
A promotoria pediu que Thayane indenize Roberto Farias pelos danos materiais e morais no valor de R$ 4.863, além de pagar R$ 8.105 ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul, responsável pelo resgate do rapaz, totalizando quase R$ 13 mil.
A denúncia ainda prevê prestação de serviços comunitários por três meses, com cinco horas semanais na corporação. Segundo o artigo 135 do Código Penal, omitir socorro é crime quando a ajuda poderia ter sido prestada sem risco pessoal.
Até o momento, Thayane Smith não se pronunciou sobre o caso, que segue sob análise da Justiça paranaense. O episódio reforça um alerta ético e humano: diante do perigo, a omissão pode custar caro, e deixar marcas que o tempo não apaga.
