A reconstituição do duplo latrocínio que vitimou o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e sua esposa, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos, revelou detalhes perturbadores sobre a conduta da principal suspeita.
O crime, ocorrido no bairro São Pedro, na região centro-sul de Belo Horizonte, teve sua reprodução simulada acompanhada de perto pelas autoridades nesta terça-feira, 14 de julho de 2026.
Durante os trabalhos periciais no apartamento das vítimas, a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, chocou a equipe policial ao demonstrar extrema indiferença e vaidade.
Questionada pela perita sobre a dinâmica e a direção dos golpes de faca desferidos contra o casal de idosos, a investigada respondeu com uma comparação chocante. “Você já matou uma galinha?”
De acordo com o delegado João Prata, chefe da Divisão Operacional do Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri), a suspeita demonstrou comportamento dissimulado e frieza absoluta ao longo de toda a ação, chegando a manifestar preocupação excessiva com a estética de suas unhas e de seu cabelo enquanto descrevia a violência praticada.
Embora a defesa de Paola tenha solicitado a realização de um exame de sanidade mental, pedido que foi acolhido pela Polícia Civil e que aguarda manifestação do Poder Judiciário,o delegado João Prata rechaçou a tese de que a diarista tenha sofrido um surto psicótico temporário.
Com base em duas décadas de experiência no combate a crimes patrimoniais, o policial afirmou não ter dúvidas de que a mulher é plenamente imputável e tinha consciência de seus atos, destacando que ela inclusive entrou em luta corporal com as vítimas para dominá-las.
Com a conclusão do inquérito policial, Paola responderá por duplo latrocínio. Além dela, outros quatro homens foram formalmente indiciados pelo crime de receptação qualificada, após ser comprovado que eles adquiriram os bens e joias roubados das vítimas pela autora após o crime.
As investigações apontam que o dia do crime, segunda-feira, 29 de junho, era o primeiro dia de trabalho de Paola no apartamento do casal. Ela havia sido indicada por um familiar próximo dos idosos, que já a contratava regularmente duas vezes por semana.
O parente relatou profundo abalo e sentimento de culpa pela recomendação, embora tenha notado uma sutil mudança no comportamento de Paola nos dias anteriores à tragédia.
Câmeras de segurança registraram a entrada de Paola no condomínio por volta das 7h30, portando apenas uma bolsa de mão. Cerca de oito horas depois, às 15h30, a diarista foi filmada deixando o edifício usando roupas totalmente diferentes e carregando duas sacolas grandes, além de uma bolsa de luxo que pertencia a Maria Clotilde.
Após o crime, a suspeita iniciou uma rotina de ostentação com os recursos roubados. Durante dois dias, ela circulou entre a capital mineira e a cidade de Itabira, hospedando-se em um hotel no tradicional bairro da Savassi.
Na ocasião, ela frequentou restaurantes, utilizando serviços de transporte por aplicativo de forma contínua e realizando compras de alto valor após vender as joias das vítimas.
A prisão de Paola ocorreu na madrugada de 2 de julho, em um hotel em Itabira, onde ela estava acompanhada de seu filho de apenas 6 anos de idade.
Com ela, os policiais do Depatri apreenderam R$ 18,8 mil em espécie, telefones celulares, joias, perfumes, além de uma faca e 165 comprimidos de uma medicação de efeito sedativo.
