A decisão inédita que reconheceu judicialmente a união estável entre três homens em Jataí, no estado de Goiás, ganhou ampla repercussão nacional e trouxe à tona um intenso debate sobre modelos de organização familiar.
Desde que o caso veio a público, os integrantes do trisal têm lidado com uma onda de comentários ofensivos nas redes sociais, situação que despertou preocupação com a exposição e os impactos emocionais causados pela reação de parte da sociedade.
Túlio Adriano, professor universitário, relatou que o objetivo nunca foi causar polêmica, mas garantir proteção jurídica a uma estrutura familiar que, segundo ele, é sólida e baseada em afeto e convivência duradoura.
Ao lado dos empresários Wellington Ferreira da Costa e Lucas Santana Delgado, Túlio explicou que a motivação para buscar o reconhecimento legal da união estável foi assegurar direitos patrimoniais e familiares, de forma equivalente à de qualquer casal formalizado judicialmente.
A juíza Sabrina Rampazzo de Oliveira, responsável pela decisão, reconheceu a união estável entre os três no 6º Centro Judiciário de Soluções de Conflitos e Cidadania da Comarca de Jataí.
O vínculo firmado inclui regime de comunhão parcial de bens, o que garante aos envolvidos os mesmos direitos legais atribuídos a uniões de duas pessoas, incluindo herança e partilha de patrimônio, entre outros.
Segundo os integrantes do trisal, o relacionamento é marcado por convivência pública e contínua. Túlio e Wellington vivem juntos desde 2014 e, após conhecer Lucas em um grupo de amigos, decidiram incluir o novo parceiro na relação, convivendo desde então como uma família unida sob o mesmo teto.
Apesar dos ataques, o grupo reafirma o compromisso com sua convivência e afirma que seguirá buscando respeito e igualdade perante a lei, afinal de contas eles se amam e optaram por viverem juntos.
O caso também amplia o debate sobre o reconhecimento jurídico de diferentes configurações familiares no Brasil e a importância da proteção legal a todos os vínculos afetivos, independentemente de sua conformação tradicional.
