O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) manifestou-se oficialmente sobre o vazamento de diálogos e áudios que o vinculam ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A controvérsia gira em torno do financiamento de Dark Horse, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio confirmou a veracidade das mensagens, mas defendeu a legitimidade das transações, classificando-as como uma busca por patrocínio privado para um projeto também privado, sem o uso de recursos públicos ou da Lei Rouanet.
Em nota oficial, o senador buscou se distanciar das investigações que pesam sobre Vorcaro e o Banco Master, afirmando que conheceu o banqueiro no final de 2024, antes do surgimento de suspeitas públicas.
Flávio reiterou que não ofereceu vantagens governamentais em troca dos investimentos e aproveitou a oportunidade para endossar a instalação de uma CPI do Banco Master, alegando que a comissão servirá para separar “os inocentes dos bandidos”.
De acordo com as investigações do The Intercept Brasil, o montante repassado por Vorcaro para a produção do filme alcançou pelo menos R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025. O valor total negociado poderia chegar a R$ 134 milhões.
Um dos pontos mais sensíveis da revelação é um áudio de setembro de 2025, no qual Flávio expressa preocupação com o atraso das parcelas do patrocínio. Na gravação, o senador menciona o receio de que a produção desse um “calote” em figuras renomadas do cinema internacional envolvidas no projeto, como o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.
“Eu fico sem graça de ficar te cobrando… Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, disse no audio atribuído a Flávio Bolsonaro.
A defesa de Flávio Bolsonaro sustenta que a relação foi estritamente comercial e voltada para a viabilização da obra cinematográfica. Enquanto isso, o cenário político aguarda os próximos desdobramentos sobre a possível abertura da CPI, que promete escrutinar não apenas as relações do banqueiro com a família Bolsonaro, mas também com o atual governo federal.
