Desde dezembro, o Irã enfrenta uma onda de protestos que se intensificou após a forte repressão inicial e, segundo informações de um membro do governo divulgadas nesta terça-feira (13), já teria resultado em aproximadamente 2.000 mortes. A informação teria sido passada à agência de notícias Reuters.
As manifestações, que começaram com críticas à situação econômica, se ampliaram para pedidos pelo fim do regime dos aiatolás, no poder desde a Revolução Islâmica de 1979.
O governo iraniano atribui parte das mortes a ações de manifestantes, rotulados como “terroristas”, acusados de atacar civis e agentes de segurança. Os números oficiais ainda não foram atualizados pelo governo até esta última divulgação.
No entanto, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, expressou preocupação com o que classificou como repressão a protestos pacíficos. A resposta das forças de segurança iranianas incluiu disparos contra manifestantes, de acordo com relatos de organizações de direitos humanos.
Irã
O povo oprimido cansou. Estão a queimar prédios do regime.
É o grito pela liberdade, a ação por um futuro próspero e uma população que sabe na pele a dor da ditadura dos Aiatolás.Que sirvam de exemplo a toda Terra. pic.twitter.com/ZWMbtJs8YA
— Carìna Belomé (@CarinaBelome) January 8, 2026
Segundo um veículo de notícias do Irã no X, 1,5 milhão de iranianos estão nas ruas esta noite.
São mais de 180 cidades rebeladas em todas as províncias do país.
Iranianos estão pedindo para não chamar isso de protesto, mas de revolução. pic.twitter.com/GeOZTWmEUh
— Daniel Scott (@odanielscott) January 10, 2026
A HRANA, entidade com sede nos Estados Unidos, estima que ao menos 538 pessoas morreram até o momento, sendo 490 manifestantes e 48 policiais, além de mais de 10.600 prisões confirmadas.
Em meio à instabilidade, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, adotou um discurso duplo: de um lado, pediu à população que se afaste de grupos considerados “badernistas”, e de outro, sinalizou a abertura para diálogo.
O governo, no entanto, insiste que potências estrangeiras, como Estados Unidos e Israel, estariam por trás da agitação civil no país. Já o chefe da polícia iraniana declarou que o enfrentamento com os manifestantes foi intensificado, e a Guarda Revolucionária reforçou que proteger a segurança nacional é inegociável.
🇮🇷 – O amanhecer no IRÃ.
Questão de tempo para o regime cair, mesmo diante de todo sofrimento que o regime vem impondo aos manifestantes.
O povo persiano quer varrer o Islã do país. REVOLUÇÃO TOTAL. 🔥🔥🔥 pic.twitter.com/OdsdfaK6Os
— Paulo Spitzbarth 🇧🇷🇩🇪🇮🇱 (@PauloSpitzbarth) January 12, 2026
Enquanto isso, a comunidade internacional observa com atenção. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou que poderá agir se os protestos forem reprimidos com violência e já declarou que seu país está pronto para apoiar a população iraniana na busca por liberdade.
O bloqueio da internet no país dificulta a circulação de informações, o que faz com que os números reais da repressão ainda sejam incertos. O episódio expõe o grau de tensão que o país enfrenta internamente, com protestos que evoluíram de demandas econômicas para uma contestação aberta ao regime.
A repressão e a resposta internacional colocam o Irã em um momento crítico, com desfechos imprevisíveis e riscos crescentes para a estabilidade interna.
