A delegada Ana Paula Lamego Balbino, da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), teve o afastamento médico prorrogado por mais 30 dias. A nova licença foi publicada nesta terça-feira (11/8), exatamente um ano após a morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, crime pelo qual o marido dela, o empresário René da Silva Nogueira Júnior, responde na Justiça.
A servidora está afastada desde agosto de 2025, poucos dias depois do assassinato ocorrido em Belo Horizonte. Com a nova extensão, ela ultrapassa 12 meses longe das atividades da corporação. Durante o período, continua recebendo normalmente os vencimentos previstos para o cargo.
Essa é a sétima renovação do benefício. A autorização mais recente determina que o novo período de afastamento seja contado desde 8 de agosto. Em junho, uma decisão anterior havia concedido 60 dias adicionais.
As regras da própria Polícia Civil estabelecem que servidores que acumularem pelo menos três meses de afastamento por doença, consecutivos ou não, dentro de um intervalo de 12 meses devem passar por avaliação para verificar eventual incapacidade.
A PCMG informou que licenças destinadas ao tratamento de saúde seguem os procedimentos previstos na legislação e dependem de avaliação médica. O procedimento, porém, não significa automaticamente aposentadoria.
Delegada foi investigada
Ana Paula chegou a ser indiciada por prevaricação e por supostamente permitir que sua arma fosse utilizada no assassinato de Laudemir. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) não ofereceu denúncia contra ela e apresentou proposta de acordo de não persecução penal.
O órgão também solicitou que a Justiça analisasse a possibilidade de estabelecer uma reparação financeira de, no mínimo, R$ 150 mil aos familiares do gari. Paralelamente, um procedimento disciplinar envolvendo a delegada continuava sob análise da Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
Laudemir, de 44 anos, foi baleado em 11 de agosto de 2025 enquanto trabalhava na coleta de resíduos em Belo Horizonte. Conforme a investigação, René teria se irritado porque o caminhão bloqueava a passagem de seu automóvel.
