O Dia das Mães costuma ser marcado por momentos de celebração e união entre familiares, mas, para algumas pessoas, a data passa a representar uma lembrança permanente de dor.
Quando um acidente interrompe planos e muda completamente a rotina de uma família, o luto se mistura ao desejo por respostas e por justiça, transformando uma data especial em um marco difícil de superar.
Foi exatamente isso que aconteceu com Kátia Silene, moradora de Bragança, no Pará. O que seria uma tarde de lazer ao lado do marido e dos três filhos terminou em um grave acidente na rodovia PA-458.
Mais de um ano depois da ocorrência, a família afirma que continua aguardando a responsabilização do motorista apontado como causador da colisão. A história de Pedro Henrique Rodilha dos Santos, de 14 anos, também é cercada por um significado especial para os pais.
Antes de seu nascimento, Kátia enfrentou sete perdas gestacionais. Posteriormente, o casal adotou dois meninos e, pouco tempo depois, ela engravidou novamente. A gestação exigiu acompanhamento constante, mas terminou com o nascimento de um filho saudável, que se tornou motivo de alegria para toda a família.
No Dia das Mães de 2025, após o almoço, foi o próprio Pedro quem sugeriu o passeio até a praia de Ajuruteua. Durante o trajeto, ele observava a paisagem e fazia perguntas sobre tudo o que via pela estrada, até que a viagem foi interrompida por uma colisão entre o carro da família e outro veículo.
De acordo com a investigação da Polícia Civil do Pará, o motorista que seguia no sentido contrário teria invadido a pista oposta em uma curva. Os registros policiais apontam ainda que ele apresentava sinais de embriaguez e recusou realizar o teste do bafômetro.
Preso em flagrante, acabou sendo liberado no dia seguinte após o pagamento de fiança. Pedro permaneceu internado por 50 dias em coma, mas não resistiu às complicações dos ferimentos e morreu em 1º de julho de 2025.
O pai, Jânio Venâncio dos Santos, sofreu múltiplas fraturas, passou 47 dias hospitalizado e ainda enfrenta um longo processo de reabilitação, convivendo com sequelas permanentes.
O Tribunal de Justiça do Pará determinou que o processo retornasse à comarca de Bragança com novo enquadramento jurídico, passando a tratar o caso como homicídio qualificado por dolo eventual.
A audiência de instrução foi marcada para 25 de março de 2027, quando testemunhas serão ouvidas para que a Justiça decida sobre o envio do réu ao Tribunal do Júri.
Enquanto aguardam o andamento do processo, os familiares afirmam que não buscam vingança, mas esperam que o caso seja esclarecido e que a responsabilização ocorra conforme prevê a lei.
