Ocorrências envolvendo mortes dentro de residências costumam exigir análises cuidadosas das autoridades, principalmente quando existem dúvidas sobre as circunstâncias do caso. Em situações desse tipo, detalhes observados nas primeiras horas após o ocorrido podem se tornar peças importantes para a investigação.
O registro da cena, o comportamento das pessoas presentes e a posição de objetos no local frequentemente ajudam a esclarecer se o episódio ocorreu conforme a versão inicialmente apresentada.
Foi justamente a percepção de possíveis inconsistências que levou um socorrista do Corpo de Bombeiros a agir de maneira incomum ao chegar a um apartamento, no centro de São Paulo, onde a policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada ferida na cabeça.
A morte, inicialmente tratada como suicídio, passou a ser investigada como morte suspeita após a análise de diferentes elementos reunidos durante o inquérito. De acordo com depoimento prestado à Polícia Civil, o bombeiro Rodrigo Almeida Rodrigues foi o primeiro integrante da equipe de resgate a entrar no imóvel, no dia 18 de fevereiro.
Com cerca de 15 anos de experiência em atendimentos de emergência, ele relatou que a cena encontrada despertou desconfiança imediata. Antes de permitir a entrada da equipe para prestar socorro, decidiu registrar imagens do ambiente com o celular, buscando preservar detalhes da posição do corpo e dos objetos ao redor.
Segundo o socorrista, a policial estava caída entre o sofá e o rack da televisão, com grande quantidade de sangue na região da cabeça e uma arma posicionada na mão direita.
Ele afirmou que a forma como o corpo estava e outros elementos da cena não correspondiam ao padrão que costumava observar em casos de suicídio. Por esse motivo, pediu que os colegas aguardassem alguns instantes enquanto realizava as fotografias.

Outro aspecto mencionado em depoimento foi o comportamento do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, marido da vítima, que estava no local quando os bombeiros chegaram.
Conforme relatado, o oficial solicitava que a mulher fosse levada rapidamente ao hospital. O socorrista também destacou que não percebeu sinais que indicassem tentativa de prestar primeiros socorros antes da chegada da equipe.
As dúvidas sobre o caso também foram registradas por integrantes da Corregedoria da Polícia Militar que compareceram ao apartamento. Uma policial com décadas de experiência relatou ter estranhado alguns pontos, incluindo o fato de o oficial ter afirmado que estava no banho quando ouviu um barulho no imóvel.
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Com base nos elementos reunidos até o momento, a investigação segue em andamento para esclarecer as circunstâncias da morte. Entre as medidas autorizadas pela Justiça está a exumação do corpo da policial, procedimento que busca reunir novas informações técnicas capazes de ajudar a determinar o que realmente aconteceu dentro do apartamento.
