A Polícia Civil do Tocantins apresentou, nesta segunda-feira, 6 de abril de 2026, o desfecho das investigações sobre o assassinato da servidora pública e empresária Deise Carmem de Oliveira Ribeiro, de 55 anos.
O caso, que chocou o estado pelo nível de premeditação, aponta que o crime foi motivado por conflitos financeiros e, além disso, pelo controle da fábrica de rodos da família.
As principais acusadas de planejar e executar o homicídio são as próprias filhas da vítima, Déborah de Oliveira Ribeiro e Roberta de Oliveira Ribeiro, enquanto o marido, José Roberto Ribeiro, foi indiciado por ajudar a ocultar evidências e atrapalhar o trabalho.
Segundo o inquérito conduzido pela Delegacia de Peixe com apoio da DEIC de Gurupi, Deise era vista pelas filhas como um “empecilho” ao padrão de vida e à liberdade financeira que desejavam.
A investigação revelou que a vítima controlava rigidamente os gastos da casa, o que gerava atritos constantes. Com a ausência da mãe, as filhas acreditavam que poderiam manipular facilmente o pai, descrito pela polícia como alguém de pouca instrução.
O crime foi executado com contornos de crueldade no dia 26 de dezembro de 2025. Deise foi levada para uma área rural na Vila Quixaba, onde foi morta a facadas antes de ter seu corpo jogado no Rio Santa Tereza.
Para ganhar tempo e desviar as suspeitas, as filhas teriam comprado um celular em nome da mãe e passado dias enviando mensagens a parentes, simulando que a empresária havia decidido ir embora por conta própria.
Essa estratégia adiou o início das buscas e só foi desmascarada após a localização do corpo no dia 1º de janeiro de 2026. Juridicamente, o caso foi enquadrado como feminicídio.
A legislação brasileira prevê essa qualificadora quando o crime envolve a condição do sexo feminino vinculada a relações de parentesco ou convivência, independentemente de quem seja o autor.
“As filhas viam a mãe como um embaraço na vida delas. A partir do momento que a mãe faltasse, elas iam ter total controle porque o pai… não ia tentar fazer esse controle das despesas e da questão financeira”, disse o Delegado João Paulo Sousa Ribeiro.
Com o indiciamento concluído, o processo segue agora para o Ministério Público Estadual (MPTO), que decidirá se apresenta a denúncia formal à Justiça. Os três acusados permanecem presos preventivamente desde fevereiro.
Em contrapartida, a defesa da família manifestou-se por meio de nota, alegando que o relatório policial possui “lacunas fundamentais” e que buscará exercer o direito ao contraditório e à ampla defesa durante o processo judicial.
O trágico episódio encerra o ciclo de vida de uma mulher que era o pilar financeiro da casa, deixando para trás uma comunidade em busca de respostas e uma empresa agora sob o centro de uma disputa criminal.
