Locais destinados ao cuidado de idosos costumam reunir histórias de vida, rotinas compartilhadas e laços que se formam entre moradores, funcionários e familiares. Quando um incidente acontece em ambientes assim, o impacto ultrapassa os limites da instituição e atinge toda a comunidade ao redor, que acompanha com preocupação as consequências do ocorrido.
Foi o que aconteceu após o desabamento de um imóvel no bairro Jardim Vitória, na Região Nordeste de Belo Horizonte. O prédio abrigava uma casa de repouso e também outros estabelecimentos, como uma academia e uma clínica de estética.
No momento do acidente, 29 pessoas estavam no local. De acordo com atualização divulgada pelas equipes de resgate na manhã de sexta-feira (6), o número de mortos chegou a 12.
Entre as vítimas está Renato Duarte, de 31 anos. Ele era proprietário da academia que funcionava no prédio e também filho do dono do imóvel. Renato morava em um dos pavimentos com a esposa, Sâmia Nunes, e a filha do casal, de apenas dois anos.
As duas foram retiradas com vida pelos bombeiros durante o trabalho de resgate realizado após o desabamento. Segundo Sâmia, o dia havia sido tranquilo antes do ocorrido.
A filha já estava dormindo quando o marido decidiu descansar em outro quarto para que mãe e filha pudessem dormir com mais conforto, já que ele precisava acordar cedo no dia seguinte. Pouco depois, a mulher percebeu que algo dentro da casa parecia se mover de forma incomum.
Ao se levantar, ela decidiu primeiro pegar a filha, que dormia na cama. Enquanto colocava a criança nos braços, a estrutura começou a ceder. As duas ficaram presas sob os escombros, mas acabaram sendo encontradas e resgatadas pelas equipes do Corpo de Bombeiros durante a madrugada.
Renato, que estava em outro cômodo do imóvel no momento do desabamento, não sobreviveu. Em meio à dor, Sâmia relembra que o marido era muito dedicado ao trabalho e às atividades que mantinha no prédio.
Para ela, a ausência do companheiro deixa um vazio difícil de enfrentar, enquanto familiares e moradores da região ainda tentam compreender o impacto do ocorrido.
