A Justiça do Rio Grande do Sul confirmou a decisão que rejeitou os pedidos de indenização apresentados pelo agricultor Rafael Eduardo Schemmer contra a ex-companheira, Natália Knak, e a tia dela, responsável por gravar o episódio que ficou conhecido nas redes sociais como o “chá revelação de traição”.
O julgamento foi realizado pela 9ª Câmara Cível do TJRS na última quinta-feira (30). Por unanimidade, os desembargadores mantiveram a sentença de primeira instância. Rafael buscava uma reparação de R$ 100 mil e também queria que o vídeo fosse retirado da internet.
Já Natália recorria para obter R$ 150 mil por danos morais. Um pedido semelhante feito pela tia da mulher também foi rejeitado. Relator do processo, o desembargador Eugênio Facchini Neto utilizou o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero.
Para ele, a exposição pública promovida por Natália ocorreu após a descoberta de repetidas infidelidades durante a gravidez, não podendo ser analisada como um simples ato de revanche. Ao analisar a ação do agricultor, o tribunal concluiu que não houve demonstração de prejuízos efetivos à imagem ou à atividade profissional dele.
Os magistrados também entenderam que retirar o vídeo das plataformas digitais seria uma medida sem eficácia, diante da ampla disseminação do conteúdo. Em relação ao recurso de Natália, o colegiado destacou que a traição, isoladamente, não configura direito automático à indenização por dano moral.
O relator observou que, embora a conduta do ex-companheiro seja reprovável e provoque sofrimento, nem todo abalo emocional pode resultar em compensação financeira. O caso ganhou repercussão nacional após Natália revelar, durante uma confraternização, que havia descoberto diversas traições do companheiro.
A decisão de primeira instância, proferida pela Vara Judicial da Comarca de Ibirubá em março de 2026, já havia negado todas as indenizações. A defesa de Natália informou que avaliará com a cliente a possibilidade de buscar outras medidas judiciais ou encerrar definitivamente o caso.
Já o advogado de Rafael sustentou que o agricultor acabou sendo condenado pela opinião pública e defendeu que conflitos conjugais não deveriam ganhar a dimensão que tiveram nas redes sociais.
