O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) gerou repercussão ao defender que o Brasil firme parcerias com os EUA para substituir o pix e aderir sistemas de pagamentos de empresas do país norte-americano.
A declaração acontece em um período delicado, com o governo Trump ameaçando novas tarifas contra o Brasil por uma série de supostos motivos listados em um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).
Dentre esses motivos, um dos mais criticados por analistas é o que diz Washington sobre o pix. O sistema de pagamento brasileiro é criticado pelas autoridades estadunidenses por supostamente criar uma desvantagem sobre os sistemas de pagamento do país, origem de mastercard e outros sistemas, por exemplo.
Neste contexto, Eduardo Bolsonaro faz um movimento que estranha até mesmo aliados. Anteriormente, aliados e representantes da extrema-direita e direita brasileira, inclusive a família Bolsonaro, defendiam o pix e chegaram a acusar o governo Lula de estar tentando implementar formas de taxar o sistema.
Agora, no entanto, Eduardo adotou uma postura diferente. O deputado cassado defendeu uma linha de diálogo e negociação com o governo dos EUA, chegando a sugerir o Zelle como alternativa ao pix.
“Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos, aqui é o Zelle. Então dá pra você ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos”, declarou ao TMC News.
Ainda na mesma linha de raciocínio, Eduardo defendeu que o Brasil sente para negociar com os EUA e ceda alguns dos desejos de Washington em troca de “segurar um ímpeto de retaliação” do governo Trump, citando manganês e terras raras como interesses dos EUA.
Criado em 2017, o Zelle é uma plataforma de transferências eletrônicas utilizada nos Estados Unidos e frequentemente comparada ao Pix. Apesar das semelhanças, no entanto, os sistemas apresentam diferenças relevantes.
