Os casos de feminicídio continuam entre os crimes que mais preocupam autoridades e especialistas em segurança pública no Brasil. Frequentemente, episódios dessa natureza estão ligados à dificuldade de aceitação do fim de relacionamentos, transformando momentos que deveriam representar novos começos em situações marcadas por dor e comoção para famílias inteiras.
Foi nesse contexto que ganhou um desfecho doloroso o caso envolvendo Ilcicléia Alves Veloso, de 41 anos, baleada durante uma reunião para formalização do divórcio em Ourilândia do Norte, no sudeste do Pará. A morte da empresária foi confirmada na tarde desta quinta, dia 4 de junho, pelo Hospital Regional da PA-279, onde ela permanecia internada em estado crítico desde o dia anterior.
Segundo a unidade de saúde, a vítima sofreu um traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo na região da cabeça. Horas antes da confirmação do óbito, os médicos já haviam informado um agravamento significativo do quadro clínico, descrevendo um estado de coma ainda mais profundo.
O episódio aconteceu dentro de um escritório de advocacia, onde Ilcicléia e o ex-marido, Romildo Veloso e Silva, se encontravam para concluir os procedimentos relacionados ao divórcio e à divisão de bens. O casal estava separado havia cerca de três meses.
De acordo com relatos colhidos pela Polícia Militar, Romildo pediu ao advogado responsável pelo atendimento que lhe concedesse alguns minutos a sós com a ex-esposa. Pouco depois, disparos foram ouvidos dentro da sala.
Quando os agentes chegaram ao local, encontraram Ilcicléia ferida, mas ainda viva. Ela recebeu atendimento emergencial e foi encaminhada inicialmente ao hospital municipal, sendo transferida posteriormente para uma unidade regional devido à gravidade dos ferimentos.
Romildo, que exercia mandato como vereador e já havia ocupado o cargo de prefeito do município, foi encontrado sem vida no banheiro do imóvel. Um revólver estava ao lado do corpo.
A Polícia Civil informou que o caso está sendo investigado como feminicídio seguido de suicídio. A morte de Ilcicléia gerou grande repercussão na cidade. Conhecida como Leia Veloso, ela era empresária, ex-primeira-dama do município e deixa três filhos. Em homenagem às vítimas, a Prefeitura de Ourilândia do Norte decretou luto oficial de três dias.
