Após lançar um novo livro, o jornalista Pedro Bial fez um desabafo corajoso sobre o fim da vida de sua mãe, em uma entrevista que repercutiu nesta quinta-feira, dia 27 de novembro.
A psicanalista Susanne Bial, que faleceu aos 101 anos, chegou a pedir ajuda ao filho para morrer, pois não sentia mais prazer em viver. As fontes são de uma entrevista ao jornal O Globo, onde Bial comentava sua nova obra sobre a jogadora Isabel.
Com isso, ele revelou que a mãe, uma mulher culta que adorava ler, já não conseguia mais fazê-lo e vivia o que ele chamou de “indignidades da decrepitude”.
Com a notícia da revelação, o plano da família veio à tona. Bial contou que cogitaram levá-la para a Suíça para realizar um suicídio assistido. “A gente pensou em fazer […] Por um motivo ou outro isso não se deu”, explicou o apresentador.
Diante da situação, a resistência física de Susanne impressionou a família. Durante o processo paliativo, ela teve uma pneumonia e a decisão foi não administrar antibióticos, deixando a natureza seguir seu curso.
Apesar da decisão, no entanto, ela se recuperou sozinha. A experiência transformou a visão do jornalista sobre a longevidade. Ele passou a questionar a “promessa de uma vida estendida” pela medicina contemporânea e a dignidade de ser mantido vivo sem prazer.
“Chega uma hora que é muito indigno”, refletiu. No momento, a fala de Pedro Bial levanta um debate profundo sobre o fim da vida. Citando Gilberto Gil, ele diferenciou o “medo da morte” do “medo de morrer”.
Em suas palavras, o jornalista acabou expondo a angústia e a coragem necessárias para enfrentar a despedida de um ente querido que já não deseja mais estar aqui.
