Antes da morte, aos 49 anos, o ator Edward Boggiss enfrentava um quadro de câncer de orofaringe com comprometimento do sistema pulmonar. Conhecido por trabalhos em produções como Malhação, Sandy & Junior, Começar de Novo e O Profeta, o artista trouxe visibilidade a uma doença que, na maioria dos casos, evolui de forma silenciosa e costuma ser identificada apenas em estágios mais avançados.
O câncer de orofaringe afeta a parte posterior da boca, região que inclui a base da língua, as amígdalas, o palato mole e a parede da faringe. Como essa área é de difícil visualização, muitos pacientes não percebem alterações iniciais, o que reforça a importância de consultas médicas periódicas, especialmente para pessoas que apresentam fatores de risco.
Entre os principais sinais de alerta, a dor de garganta persistente merece atenção especial, principalmente quando dura mais de duas semanas e não melhora com tratamentos convencionais.
Outro sintoma frequente é a dificuldade para engolir alimentos ou líquidos, muitas vezes acompanhada por engasgos recorrentes e sensação de que há algo preso na garganta.
Lesões esbranquiçadas ou avermelhadas na boca também podem indicar alterações importantes e não devem ser ignoradas. Além disso, dificuldades para mastigar, respirar ou abrir a boca normalmente podem surgir com a evolução da doença e exigem avaliação médica o quanto antes.
A dormência na língua, alterações na voz, rouquidão persistente, dor de ouvido sem causa aparente, pequenos sangramentos e tosse com presença de sangue também fazem parte dos sintomas que podem estar relacionados ao câncer de orofaringe.
Outro sinal que merece investigação é o aparecimento de nódulos no pescoço, que podem indicar comprometimento dos linfonodos. Os principais fatores de risco continuam sendo o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, especialmente quando associados.
No entanto, infecção pelo HPV, higiene bucal inadequada, gengivite crônica, próteses mal ajustadas, imunodeficiências e alimentação baseada em produtos ultraprocessados também aumentam a probabilidade de desenvolvimento da doença.
Especialistas destacam que reconhecer precocemente esses sintomas pode fazer diferença no diagnóstico e no tratamento. Diante de qualquer alteração persistente na boca ou na garganta, a recomendação é procurar um médico, preferencialmente um especialista em cabeça e pescoço, para uma avaliação detalhada e, se necessário, iniciar rapidamente a investigação.
