O cenário cultural brasileiro despede-se de um de seus maiores arquitetos sonoros. Guto Graça Mello faleceu nesta terça-feira, 5 de maio de 2026, aos 78 anos, no Rio de Janeiro.
Internado há mais de um mês após uma queda, o produtor e diretor musical foi vítima de uma parada cardiorrespiratória. Sua trajetória é a definição de como a música pode construir a identidade de uma marca e de uma nação.
Guto não apenas produziu sons; ele moldou o imaginário coletivo através das trilhas sonoras da Rede Globo e da gestão estratégica da gravadora Som Livre, se destacando por todo o seu talento e esforço aplicado nas suas ações diárias.
A carreira de Guto foi marcada por desafios que se tornaram marcos históricos. Um dos episódios mais emblemáticos envolve o álbum de estreia que foi realizado pela cantora Xuxa, que logo se tornou um grande sucesso no Brasil.
Ao relatar que a apresentadora “não era cantora”, recebeu do então presidente da Som Livre, João Araújo, a ordem direta: “Se vira”. O resultado foi um fenômeno de milhões de cópias que definiu uma era do entretenimento infantil.
Além do sucesso comercial, sua sensibilidade artística foi reverenciada por ícones como Maria Bethânia, que afirmou que “o mundo da música deve reverências a ele”.
Guto foi o responsável por unir a sofisticação da MPB ao apelo popular das massas, selecionando clássicos como a abertura de Gabriela (Dorival Caymmi) e criando o tema atemporal do Fantástico.
Guto Graça Mello deixa a viúva, a atriz Sylvia Massari, filhas e enteados, além de uma biblioteca sonora que continuará a ecoar em cada abertura de programa ou reprise de novela.
Ele foi o homem que entendeu, antes de muitos, que uma boa história precisa de uma melodia inesquecível para se tornar eterna, se destacando por toda a sua trajetória e talento.
